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Multimilionário ajuda trabalhadores
indocumentados a pagarem fiança
WASHINGTON -- Robert Hildreth, um milionário que enriqueceu por esforço próprio e construiu sua fortuna comprando e vendendo ações da América Latina, quer criar um fundo nacional que ajudaria a pagar a fiança de trabalhadores indocumentados apreendidos pelas autoridades imigratórias.
Hildreth começou a pagar taxas de fiança do seu próprio bolso após ter visto na TV imagens que ele considera “não-americanas” de trabalhadores acorrentados sendo deportados. Hildreth, filho de professores de escola secundária, entrou em contato com o “Greater Boston Legal Services” e lhes pediu que o contactassem caso precisassem de ajuda para pagar fiança de trabalhadores indocumentados.
Após ter feito isso algumas vezes em alguns estados diferentes, Hildreth decidiu que seu programa deveria ser extendido em nível nacional. Sua idéia é criar um fundo sem fins lucrativos que cubriria, na maioria dos casos, 50 por cento do valor da fiança, e 100 por cento do pagamento em casos mais extremos. Pessoas favoráveis aos imigrantes dizem que isto é crucial para trabalhadores que são coagidos a assinar ordens de deportação antes mesmo de consultarem com um advogado ou de conseguirem sua audiência na corte. Auxiliá-los a pagar a fiança os permite sair da prisão, contactar um advogado e retornarem às suas famílias.
Mas, segundo Hildreth, ter a outra metade do valor da fiança paga pelos familiares, os força a arriscar no resultado do processo e diminui a possibilidade da pessoa “violar os termos de sua libertação sob fiança”.
“Os imigrantes são os maiores investidores desse país. Se eu adiantar metade dos fundos, as famílias normalmente podem entrar com o restante do valor”, comentou Hildreth. “Por exemplo, eu paguei $130 mil em fianças para liberar os imigrantes apreendidos nas batidas em New Bedford – e em três semanas eles conseguiram levantar os outros $130 mil por conta própria. Eu sei que o dinheiro está lá e que há uma ampla estrutura familiar que tem condições de conseguir os fundos necessários”.
Angelica Salas, da Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes em Los Angeles, reforça a necessidade de um fundo desta natureza. “Isto é uma questão de conseguir que as pessoas pobres tenham seu dia de audiência na corte”, disse ela. “As pessoas têm que entender que advogados não são designados para ajudar estas pessoas e seus direitos não são lidos no momento da apreensão. Elas são pegas, geralmente levadas para outro estado, interrogadas e mais tarde são informadas que podem contratar um advogado se conseguirem encontrar um”. Ela acrescenta, “O que Bob Hildreth tem feito é um exemplo excepecional do que pessoas com consciência precisam fazer nestes tempos terríveis. Ele está dando a liberdade às pessoas e uma razão para terem esperança”.
Até o momento, o fundo nacional de fiança conta com mais de $150 mil dólares assegurados, valor proveniente de verbas anteriores que foram devolvidas a Hildreth com juros. Estas verbas serão usadas para pagar fianças futuras e ele espera poder acumular uma quantia significativa. “Quando paga uma fiança, não é uma contribuição. Você recebe o dinheiro de volta com juros, valor que retorna ao fundo para ser usado para ajudar a próxima pessoa que precisar”. Até então, ninguém que recebeu ajuda de Hildreth deixou de comparecer à corte”.
Abrir um fundo para pagamento de fiança não é um conceito novo. O “NAACP Legal Defense and Education Fund” proveu dinheiro de fiança e assistência legal para manifestantes pelos direitos civis na década de 60, incluindo as demonstrações pelo término da segregação racial em 1961 lideradas pelo “Congress of Racial Equality” e o “Student Nonviolent Coordinating Committee”.
Hildreth também considera o dinheiro da fiança como uma ajuda. “Temos famílias cujos entes queridos foram presos em Massachusetts e depois transferidos para centros de detenção no Texas. A comunicação é cortada”, explicou ele. “O que estamos vendo nessas batidas é que as pessoas desconhecem seus direitos. Por medo, elas estão abrindo mão do seu direito de um processo judicial nas primeiras 48 horas e concordam em ser deportadas sem sequer consultarem com um advogado”.
Ele pensa sobre imigração da mesma forma que um economista pensaria.
“Na América, deveríamos sempre encontrar formas de igualar o dinheiro do imigrante”, disse ele. “A tendência deles é de economizar. Os imigrantes enviaram aos seus países cerca de $60 bilhões de dólares no último ano através de remessas. Minha visão é que temos um grupo de imigrantes nadando em um mar de dinheiro, como podemos conseguir fazer com que invistam mais aqui?”
As pessoas podem questionar o por quê um descendente de imigrantes irlandeses e puritanos que se estabeleceu em Boston a mais de três séculos se preocupa com imigrantes que estão vindo para a América hoje.
“Sou muito pró-imigrante e isto vem mais de um ideal americano do que querer ser uma pessoa estilo Madre Tereza. Acredito que a imigração é o único meio de sobrevivência que a América conhece. Não houve um dia sequer, nem mesmo um minuto em que não tenhamos aceitado imigrantes. Os benefícios econômicos que eles proporcionam a todos nós são imensos. Os 12 milhões de trabalhadores indocumentados no país gastam bilhões de dólares anualmente em supermercados, aluguéis, impostos, etc. Não faço idéia do que seria removê-los do país abruptamente, e não iria querer correr este risco”.
Legisladores querem melhor tratamento
para detentos imigrantes
No dia 13 de maio, o Senador dos EUA Joseph Lieberman, anunciou seu apoio a um Projeto de Lei que requer que imigrantes sob custódia dos centros de detenção de imigração dos EUA recebam tratamento e atenção médica adequadas.
Lieberman uniu-se a Zoe Lofgren (Dem.- CA), juntamente com os Senadores Robert Menendez (Dem.- NJ), Edward Kennedy (Dem.- MA), Richard Durbin (Dem.-IL) e Daniel Akaka (Dem. -Hawaii) para co-patrocinarem o “Ato 2008 de Tratamento Médico Básico para Detentos”, em reação aos recentes relatórios e processos judiciais que expõem problemas sistemáticos relacionados com tratamento de saúde nos centros de detenção de imigrantes. Após obter uma lista do governo, através de uma requisição com bases no Ato de Liberdade de Informação, o jornal The New York Times investigou as circunstâncias envolvidas nas mortes de 66 imigrantes ocorridas enquanto estavam sob custódia dos centros penitenciários de imigração entre os anos de 2004 e 2007.
Desde 2003, pelo menos 83 presos morreram na prisão ou logo após serem soltos. “Tratamento médico de nível inferior é uma das piores violações aos direitos humanos ocorrendo nas penitenciárias de imigração”, afirmou Senador Lieberman, acrescentando, “Nossa história como uma nação de compaixão requer que a gente cumpra e mantenha padrões muito melhores nestes locais”.
Os Senadores propuseram a nova medida após examinarem uma série de casos onde detentos sofreram lesões ou morreram devido à uma ou mais das seguintes circunstâncias:
1) Falha em prover cuidados médicos básicos; 2) Revogação de decisões de membros da equipe médica no local; 3) Detenções irracionais de pessoas vulneráveis e, 4) Recusa em prover medicamentos cruciais para a vida do detento. Por exemplo, em maio de 2007, ao apreender Victoria Arellano, 23, o departamento de Imigração e Reforço Alfandegário (ICE) recusou a prover-lhe os antibióticos que ela estava tomando para curar infecções causadas pelo vírus HIV. Sua saúde deteriorou rapidamente, acentuada por febres altas, cólicas severas e hemorragia interna. Quando estava quase morrendo, o ICE retornou seu tratamento com antibióticos, mas usou o medicamento incorreto. Victoria não recebeu nenhum tratamento adicional e morreu sob custódia do ICE – apenas dois meses após sua detenção.
Em um caso recente, um juiz federal observou que os próprios registros do ICE [sobre um detento que faleceu] demonstravam uma conduta que “transcende a idéia de negligência… conduta que, se real, deveria ser ensinada a todo estudante de direito como um comportamento para o qual a palavra ‘cruel’ é insuficiente para descervê-lo”.
Ato 2008 de Tratamento Médico
Básico para Detentos
• Requer que o Departamento de Segurança Nacional (DHS) estabeleça procedimentos para administração de tratamento médico efetivo e dentro de um tempo adequado.
• Garante que decisões de tratamento médico sejam baseadas em conclusões médicas profissionais. Presentemente, as decisões médicas feitas por funcionários nos centros de detenções podem ser revogadas por oficiais que não trabalham no local sem revisões adicionais.
• Garante continuidade no tratamento de pessoas com problemas de saúde graves. O projeto de lei requer acesso a medicamentos necessários no momento da detenção e durante qualquer transferência.
• Requer que o DHS reporte todas as mortes de detentos ao Gabinete do Inspetor-Geral e ao Congresso. Presentemente, não é requerido que o DHS mantenha controle ou relate sobre mortes de prisioneiros. A falta de um requerimento oficial exigindo que os relatórios sejam apresentados deixa tanto o Congresso como o público desinformado.
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Igreja de Danbury é primeira a participar do
Novo Movimento para Refúgio aos Imigrantes
“E quando o estrangeiro peregrinar convosco na vossa terra, não o oprimireis. Como um natural entre vós será o estrangeiro que peregrina convosco; amá-lo-ás como a ti mesmo, pois estrangeiros fostes na terra do Egito (Levítico 19.33-34).”
A apelação da Rev. Linda Hansen na manhã do dia 7 de outubro de 2007 à Igreja Universalista Unitária de Danbury foi “que possamos absorver em nossos corações essas palavras generosas de Levítico”.
Apenas seis meses mais tarde, a congregação tornou-se a primeira em Connecticut a participar do Novo Movimento para Refúgio aos Imigrantes (NSM), unindo grupos religiosos de 14 denominações tradicionais diferentes em 50 cidades em todo os Estados Unidos sob a promessa de buscarem justiça social para os imigrantes e proverem refúgio aqueles que enfrentam processos de deportação.
Carl Tichler, Presidente da Diretoria Administrativa, acredita que isto não seja obra do acaso, dizendo no comunicado de imprensa da igreja que, “O auxílio sempre vem onde é mais necessário”.
O NSM acabou de completar seu aniversário de um ano. A iniciativa originou-se de um grupo de ativistas religiosos em New York, Chicago e Los Angeles que decidiu criar um novo movimento baseado no que ocorreu em 1980, onde mais de 250 igrejas protegeram milhares de imigrantes que tiveram seu pedido de asilo negados pelo governo americano, ação que, na realidade, mudou a lei em nível nacional.
A decisão do dia 16 de maio, aprovada com 90% dos votos dos membros da igreja, foi feita após meses de análise cautelosa posteriormente ao sermão da Rev. Hansen em outubro de 2007, ocasião em que introduziu a proposta que lhe foi apresentada pelo Comitê de Ação Social da igreja.
O Comitê distribuiu materiais educativos e realizou uma série de três reuniões entituladas “Além do Muro e Sob o Radar: Diálogos sobre Imigração”, para que os membros da igreja pudessem votar conscientes do assunto.
Mediante a ausência de uma reforma nas leis federais de imigração, em março, o Comitê realizou um painel de debate sobre o papel das cidades em relação à adaptação, aceitação e inclusão de novos imigrantes.
Oradores discurssaram sobre maneiras como as comunidades podem ajudar a parar com a perseguição aos imigrantes, enquanto paralelamente continuam endereçando as preocupações que o fluxo de novos imigrantes tem proporcionado à região.
Em abril, membros da igreja reuniram-se para um jantar entitulado “Vozes dos Imigrantes”, onde ouviram as histórias de imigrantes locais. O terceiro evento, realizado no dia 4 de maio, contou com a participação de jovens, e o Padre Juan Carlos Ruiz, coordenador da Coalizão do Novo Movimento de Refúgio para Imigrantes em New York, deu uma palestra sobre “Tudo que você sempre quis saber sobre o Novo Movimento de Refúgio para Imigrantes mas que tinha medo de perguntar”.
Segundo Chris Halfar, diretor do Comitê de Ação Social, haverá uma série de reuniões abertas ao público para estruturar e planejar o verdadeiro papel da igreja no Novo Movimento. O Comitê tem por objetivo construir uma parceria com as comunidades imigrantes de Danbury, prover hospitalidade, alcançar os trabalhadores diários e oferecer programas educativos regulares sobre “Saiba os Seus Direitos”.
Apesar da congregação não poder fisicamente prover santuário às famílias em risco de deportação devido à leis de zoneamento da cidade, eles estão trabalhando incansavelemnte para construir pontes com o intuito de conectar com os imigrantes de Danbury, concentrando-se em igrejas e jornais étnicos.
Eles esperam criar uma rede de referências para pessoas que precisam de ajuda, especialmente entre famílias com “status diferenciados”onde pais podem ser indocumentados e os filhos cidadãos americanos.
Cerca de 200 mil pessoas são deportadas anualmente, um número que representa mais da metade registrado em 2000. Uma proporção considerável é dessas famílias que correm o risco de serem separadas. Presentemente, a Califórnia conta com o maior índice de famílias recebendo refúgio em igrejas, e outras que estão movendo ações judiciais contra cidades em toda parte do país. Todavia, muitas acabam sendo deportadas antes mesmo de receberem ajuda.
A mensagem principal que reflete como resultado desta decisão histórica é um apelo aos imigrantes para que não hesitem e superem qualquer temor em contactar a igreja em busca de assistência.
Como expressou Lynn Taborsak, membro ativo do Comitê de Ação Social, “Estamos aqui para ajudar – queremos ajudar as pessoas que têm problemas com seu status imigratório…assim que possível, salientando, que não há ‘se’, ‘e’, ou ‘mas’, em relação a esta ajuda!”
Promessa do Novo
Movimento de
Refúgio
aos Imigrantes
O Novo Movimento de Refúgio aos Imigrantes é uma coalizão de líderes religiosos e congregações participantes de diferentes denominações, levadas pela nossa fé a responder ativamente e publicamente ao sofrimento dos nossos irmãos e irmãs imigrantes residindo nos Estados Unidos.
Temos conhecimento de que o grande fluxo imigratório de trabalhadores e suas famílias para os Estados Unidos é um fenômeno histórico, global e econômico complexo que possui inúmeras causas e não será resolvido de forma simplista ou baseado apenas em regulamentos públicos precipitados.
Estamos juntos na nossa fé de que todos, independente de sua origem, possuem direitos básicos, incluindo, mas não limitandos a: 1) subsistência; 2) união da família e, 3) segurança física e emocional. Testemunhamos a violação desses direitos nas atuais leis imigratórias, principalmente na separação de filhos e pais por causa de deportações injustas, e na exploração dos trabalhadores imigrantes. Sentimos profundamente pela violência imposta à famílias através das batidas imigratórias. Não podemos, em sã consciência, ignorar tal sofrimento e injustiça.
Por esta razão, Concordamos em:
- Assumir uma posição pública e moral pelos direitos dos imigrantes.
- Revelar, através da educação e defesa, o sofrimento real de trabalhadores imigrantes e famílias sob a legislação atual e a que foi proposta.
- Proteger os imigrantes contra o ódio, discriminação no local de trabalho e deportação injusta.
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