Um "santo" chamado distorcendo a Palavra de Deus

Fé é um princípio muito importante em minha vida. Sempre tive e terei orgulho em

dizer que acredito na existência de um Deus bondoso.

E sei que não sou a única a acreditar nisso. Há muitas entidades religiosas em Danbury. Na comunidade brasileira, por exemplo, os bancos das igrejas Católicas e Protestantes estão sempre cheios nas noites de sábado e domingo. De uma certa forma, é confortante saber que há milhares de pessoas buscando o crescimento nos níveis pessoal e espiritual nas 11 congregaçes que servem esta comunidade.

Todavia, tanto histórias antigas como eventos atuais têm nos mostrado que, freqüentemente, independente do quão nobre ou "sagrada" seja a causa, quando há o envolvimento do "homem", a margem de erros é alta.

Por exemplo, quando a Palavra de Deus é distorcida, retirada do seu contexto, usada como arma para manter aqueles que creêm cativos, Ela tem o efeito contrário ao que deveria ser - ao invés de aproximar as pessoas Dele, na verdade as afasta.

Infelizmente, na última semana, chegou ao meu conhecimento notícias da comunidade religiosa brasileira sobre um novo pastor cuja "conduta" tem chocado muitas pessoas. O Pastor Pablo Jimenez fundou sua congregação, Holy Trinity Tabernacle, no final do ano passado com a ajuda financeira de um casal de empresários local, Cleantes e Eliza Xavier.

Seu culto intenso, audacioso e, algumas vezes, severo, atraiu um pequeno grupo de seguidores. Seu website retrata seu ministério como um trabalho missionário focado na Índia e na África, seu histórico como um pastor com paixão por ajudar os menos afortunados, e alguém que já pregou em toda a Europa e partes da Ásia, compartilhando as boas novas.

Acredito que há inúmeras pessoas que atendem a um chamado verdadeiro para servir a Deus - padres, irmãs de caridade, pastores e missionários que dedicam toda a vida à sua fé e aos princípios religiosos. Também acredito que há aqueles que respondem a este chamado, porém o sucesso e a popularidade os desviam da mensagem primordial. Um exemplo, xingar membros da igreja de palavres, humilhá-los em público, impor pressão financeira e estipular o valor em dinheiro que definirá a pessoa como "um bom servo", certamente são atitudes que não fazem parte desse chamado sagrado.

Rosilane D'agostinho fez parte da igreja do Pastor Jimenez por seis meses. "Ele gritava com a gente, nos chamava de nomes como 'Jezebel' [retratada na Bíblia como uma mulher inescrupulosa]. Eu pensava comigo mesma que ele não podia ser um homem de Deus tratando as pessoas daquela maneira. Deus nunca me trataria dessa forma. Perdi meu emprego e não pude mais contribuir com a igreja como fazia antes, e então ele começou a me perseguir. Eu compartilhava as minhas dificuldades pessoais com ele, e mais tarde, ele expunha os meus problemas no programa de rádio que a igreja tinha na WFAR", contou D'agostinho.

"Não vou tirar o mérito de que ele tem talento para pregar, mas como pastor, ou um ser humano, ele não tem o direito de tratar ninguém como ele tratou", disse D'agostinho acrescentando, "Esta experiência aumentou ainda mais a minha fé e a alicerçou apenas em Deus, e não em um pastor". Como Publisher do Jornal Tribuna, tive a satisfação de visitar inúmeras congregaçes na comunidade brasileira, e esta é a primeira vez que ouvi falar de um pastor tendo este tipo de conduta com os membros da igreja.

Cleantes e Eliza, hoje afastados da igreja que ajudaram a fundar, alegaram ter sido financeiramente lesados pelo Pr. Jimenez.

O Pastor Pablo Jimenez não é membro do CONPAS (Conselho de Pastores de Danbury), uma organização religiosa local que enviou uma declaração oficial sobre o assunto para ser publicada nesta edição (Veja na página 4).

O Tribuna contactou o Pastor Jimenez inúmeras vezes para obter um comentário, mas não obtivemos retorno até o fechamento desta edição.




CONSULADO ITINERANTE EM DANBURY