Um paralelo incomparável

By Celia Bacelar

O preconceito está presente em toda sociedade, mesmo tendo o tempo reduzido

gradativamente manifestaçes extremistas de alguns grupos que acreditam que povos de outras "raças" devem ser eliminados.

O ano de 1933 marcou a história dos judeus para sempre. A ditadura absoluta instalada por Adolf Hitler tirou-lhes a vida normal e estável substintuindoas por um plano de genocídio para exterminar tida a população Judaíca; um plano alimentado pela ideologia de que só uma "raça pura" existia - a raça ariana. Todos os judeus eram obrigados a usar uma ligadura com uma estrela de David amarela no braço, para não se confundirem com a raça Alemã e para mais facilmente serem identificados. Médicos foram proibidos de exercer a sua profissão. Nenhum judeu podia ter um cargo político e até mesmo a cidadania alemã lhes foi arrebatada. As mulheres judias eram sadicamente usadas pelos "médicos" e pesquisadores alemães como cobaias em experimentos de esterilização, e outras "pesquisas" cruéis e antiéticas. E milhares de judeus morreram nos guettos com fome e doenças.

Entretanto, a humilhação e o sofrim não pararam. Em 1941, Hitler ordenou o extermínio da raça judaica. Judeus eram capturados e levados em vages geralmente usados para o trans- porte de gado para os campos de concentração. Chegando lá, eram separados por filas - uma para as mulheres, outra para os homens e as crianças - eventualmente, todas os levavam à câmara de gás.

Não há como imaginarmos tamanha atrocidade. Apenas aqueles que sobreviveram conhecem esta dor.

Seria muita ousadia comparar o sofrimento do povo judeu com o preconceito contra o imigrante nos Estados Unidos nos dias de hoje. Não ignoro a existência deste preconceito, porém sei que é praticamente impossivel que a história dos judeus se repita aqui e agora. Por esta razão, sinto orgulho e privilégio de viver neste país, onde vejo imigrantes tendo a oportunidade de trabalhar arduamente, abrir seus comércios, sustentar suas famílias com o suor do trabalho digno, enviar seus filhos às escolas, receber atendimento médico em hospitais e clínicas, independente de seu status imigratório.

Se voltarmos no tempo, em meados da década 1830 a 1845, quando houve um grande fluxo de irlandeses chegando na costa dos Estados Unidos, teríamos testemunhado a discriminação que este povo enfrentou não só por serem "estrangeiros", mas também por serem Católicos. O sentimento chegou ao extremo de comerciantes afixarem sinais nas vitrines de suas lojas dizendo

"Não é permitido a entrada de irlandeses". Hoje, este grupo é parte integrante e ativa da sociedade.

Cerca de um século mais tarde, um grande fluxo de imigrantes latinos começou a chegar nesta região e, felizmente, eles não enfrentaram os mesmos preconceitos que os irlandeses sofreram. Isto não significa que a discriminação aos imigrantes foi simplesmente irradicada. Na verdade, o sentimento em relação ao estrangeiro transformouse gradativamente e uma divergência de opinies reflete esta mudança hoje.

Uns demonstram tolerância com a presença de imigrantes em suas comunidades, outros acreditam que os imigrantes estão aqui para tirar o trabalho dos americanos e, felizmente, há aqueles que aceitam e reconhecem que somos uma nação de imigrantes e que estes contribuem com a construção do nosso país e o crescimento da nossa economia.

Na última semana, um tablóide brasileiro local referiu ao apoio do Tribuna ao candidato à Prefeitura de Danbury, Mark Boughton, nas últimas eleiçes "como se um judeu apoiásse o candidato de um partido nazista", uma comparação que é simplesmente "inacreditável".

Acredito ser de extrema insensibilidade e até mesmo insensatez comparar a atitude, comportamento ou opinião de um indivíduo numa era moderna dos Estados Unidos às atrocidades praticadas pelos nazistas. Comparar os desafios que os imigrantes enfrentam hoje com o Holocausto minimiza o sofrimento inegualável e aterrorizante que os judeus sofreram sob o regime de Hitler. Não devemos julgar as pessoas com bases nas nossas suposiçes e interesses pessoais, mesmo quando discordamos de suas açes.

Cada um de nós deve fazer a sua parte nesta luta pela igualdade entre os seres humanos, pois qualquer forma de preconceito, contra qualquer grupo, baseado em raça, etnia, religião ou preferência sexual, reflete o preconceito contra a humanidade como um todo.

Pastor Martin Niemöller, um teologista anti-nazismo, faz no poema "Primeiro eles vieram..." uma analogia da inatividade dos intelectuais alemães que nada fizeram para impedir as açes de perseguição à população judaica:

"Primeiro eles vieram para pegar os comunistas, e eu nada falei - porque eu não era um comunista;

Então eles vieram para pegar os socialistas, e eu nada falei - porque eu não era um socialista;

Então eles vieram para pegar os unionistas, e eu nada falei - porque eu não era um unionista;

Então eles vieram para pegar os judeus, e eu nada falei - porque eu não era um judeu;

Então eles vieram para me pegar - e não havia mais ninguém para falar em minha defesa".

É neste espírito que todos deveríamos trabalhar juntos para alcançar o mesmo objetivo de liberdade para os imigrantes nos Estados Unidos.




CONSULADO ITINERANTE EM DANBURY