Defensores da reforma imigratória estão perdendo a paciência com Obama
Marcelo Ballvé New America Media
Traduzido por Juliana Lima
Subhash Kateel acredita que a impaciência com a agenda da imigração do Presidente
Obama começou a ferver. Defensor da imigração na Flórida, Kateel diz que existe uma grande mistura de frustração e decepção percorrendo as comunidades de imigrantes de toda a nação.
O Presidente Obama prometeu realizar mudanças no sistema imigratório antes de tomar posse e levantou as esperanças dos imigrantes, disse Kateel. Em vez de entregar, a administração manteve o status quo: táticas de coação arbitrárias que separam famílias e enviam imigrantes a tribunais de imigração e centros de detenção abaixo dos padrões. “Sim, as coisas estão mudando”, diz Kateel, que trabalha para a Florida Immigrant Rights Coalition (Coalizão pelos Direitos dos Imigrantes da Flórida) em Miami. “Elas estão piorando. É isso que ouvimos por aí”.
Kateel está entre os muitos defensores dos imigrantes do país que vêem uma necessidade de reiniciar a batalha pelos direitos dos imigrantes com táticas mais imaginativas e incisivas.
Prisões de imigrantes – a maioria por crimes pequenos – aumentaram sob o governo Obama, destacam os defensores. O orçamento para coação, detenção e deportação do Departamento de Segurança Nacional continuou crescendo.
Os defensores gostariam de responsabilizar a Casa Branca pelas promessas quebradas. Há planos para atrair dezenas de milhares de ativistas a Washington, D.C., em 21 de março para exigir a reforma.
Mas apesar de confiar em táticas já desgastadas como protestos nas ruas e lobby com os legisladores, os defensores dos direitos dos imigrantes também se voltaram para abordagens mais criativas e radicais.
Uma é envergonhar figuras públicas específicas que são vistas como incentivadores de atividades e sentimentos antiimigratórios.
No ano passado, o âncora da CNN Lou Dobbs resignou ao cargo depois que foi alvo de uma campanha de destaque na mídia, “Basta Dobbs”, que o pintou como um megafone para informação distorcida sobre a imigração.
No mês passado, mais de 10.000 pessoas compareceram a Phoenix para protestar contra o Xerife Joe Arpaio que, graças a um contrato com o governo federal, transformou seu gabinete em um verdadeiro braço forte da Immigration and Customs Enforcement (ICE).
No mesmo dia, 16 de janeiro, manifestações foram realizadas por todo o país para coincidir com o protesto contra Arpaio. Líderes religiosos, jovens e imigrantes mais recentes estão desempenhando papéis de destaque na organização de protestos como o de Phoenix.
A manifestação de Phoenix foi bemsucedida em parte graças a um grande nível de engajamento dos jovens, disse Shuya Ohno, porta-voz da campanha da Reform Immigration for American em Washington, D.C.
“Eu diria que os jovens estão liderando o caminho agora”, concorda Katherine Gorell, diretora de comunicação pela Florida Immigrant Rights Coalition.
Os estudantes inovaram recentemente com os seus conceitos originais de protestos. Juntamente com outros estudantes da South Florida, Felipe Matos, de 23 anos, vai andar 1.500 milhas de Miami a Washington, D.C., para promover créditos educativos em faculdades públicas para imigrantes indocumentados.
“O governo não tem feito nada por nós, então precisamos fazer alguma coisa por nós mesmos”, diz Matos.
Como outros dois dos manifestantes, Matos é um bom aluno na Miami Dade College, mas está impedido de obter ajuda financeira e outras formas de apoio devido à sua falta de documentos.
Presente.org, um grupo de organização de latinos online que também ajudou a organizar o “Basta Dobbs”, é um dos apoiadores do protesto dos estudantes, chamado de “Trail of Dreams” (Caminho dos Sonhos).
Em Nova York, uma viagem de carro de cinco dias essa semana chamada de “Road Trip for Our Future” (Viagem para Nosso Futuro) levou 100 ativistas, muitos deles imigrantes de primeira ou segunda geração, em um itinerário que inclui cidades rurais, cidades “rust-belt” (cuja economia era baseada na indústria do aço), e comunidades suburbanas. Os ativistas realizaram manifestações fora dos gabinetes dos legisladores e se encontraram com grupos ativistas incluindo, na pequena Pittsford, N.Y.,—“The Raging Grannies”, um grupo de idosas que cantaram uma música em prol da reforma imigratória.
Um dos ativistas da caravana, Gabriela Villareal, também é diretora de políticas de defesa pela New York Immigration Coalition. Ela expressou a frustração das pessoas com o sistema imigratório com uma anedota pessoal. Sob a lei atual, ela levaria 22 anos para trazer legalmente seu irmão adulto das Filipinas para morar com ela nos Estados Unidos.
Greves de fome – aquela velha ferramenta de último recurso em protestos políticos – têm se tornado ultimamente mais comuns em organizações pelos direitos dos imigrantes.
Ano passado, o confinamento solitário teve de ser usado para quebrar greves de fome em um centro de detenção de imigrantes em Basile, LA. E no começo deste ano, ativistas da Flórida agrupados como “Fast for our Families” fizeram um jejum para protestar contra as políticas inflexíveis de deportação que os manifestantes dizem que separam famílias de imigrantes sem
necessidade.
O grupo da Flórida se reuniu em 18 de janeiro com 70 manifestantes no Centro de Detenções Port Isabel em Bayview, Texas.
Parte do novo ativismo pela imigração está sendo realizado em estados e localidades que não se esperaria serem berços de agitação pelos direitos dos imigrantes.
Alma Díaz, uma bartender de 28 anos e mãe de uma menina de três anos, ajudou a organizar uma manifestação pró-imigração inesperadamente grande em Cincinnati no mês passado em colaboração com grupos religiosos e de trabalhadores. “Recentemente, esse ano, e nos últimos meses do ano passado, vi muitos latinos… inclusive muitos que ainda não sabem falar in- glês, que estão se informando, se organizando e se fazendo ouvir na questão imigratória”, conta Díaz.
Em Utah, a colombiana-americana Isabel Rojas começou a pedir a líderes e membros comuns da Igreja Mórmon — da qual ela também é membro — para assumir uma postura mais explícita em favor dos imigrantes.
A Igreja Mórmon ou a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (igreja LDS) se manifestou em favor de um tratamento compassivo aos imigrantes, mas chegou perto de condenar a legislação imigratória de Utah que os críticos viam como muito dura.
Rojas espera que à medida em que a participação dos imigrantes continua a crescer, a Igreja LDS se unirá à Igreja Católica e algumas denominações evangélicas e protestantes para defender abertamente os direitos dos imigrantes.
No meio tempo, o projeto de imigração agressiva de Utah de 2009 teve uma consequência favorável pelo seu trabalho com as Comunidades Unidas, um grupo fundamental na defesa da imigração.
“Esse medo foi o que fez as pessoas olharem novamente para re-energizar e reorganizar”, afirma Rojas.