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O que precisará para que a economia de Connecticut atravesse a recessão?

Traduzido por Juliana Lima
O desemprego em Connecticut teve um leve aumento, de 8,8 por cento em dezembro para

9 por cento em janeiro. No entanto, como um sinal de recuperação, empregadores de Connecticut ampliaram 2.300 empregos até o final de janeiro. Mas o que esses números significam para a força de trabalho estadual e para pequenas empresas lutando pela sobrevivência financeira? A economia de Connecticut está atravessando o período crítico?

O Tribuna se reuniu com o Dr. Allen D. Morton, Reitor da Escola de Negócios Ancell da Western Connecticut State University para entender o que esses números realmente representam. Dr. Morton é graduado em Economia pela Harvard College, tem MBA em Finanças pela Wharton School na University of Pennsylvania, e um Doutorado em Estudos Profissionais em Economia e Finanças pela Pace University.

Tribuna: Os novos índices de desemprego são bons ou ruins? O aumento na taxa de desemprego do estado poderia ter sido pior?

Morton: Notícias boas ou ruins relacionadas ao aumento no número de empregos e crescimento econômico são relativas e dependem de muitos fatores, inclusive da natureza das pesquisas econômicas e comparações com recessões anteriores.

O Departamento de Trabalho Estadual estima que Connecticut tenha perdido 101.000 empregos durante a atual recessão. Em contraste, Connecticut perdeu cerca de 160.000 empregos durante a recessão que durou de 1989 a 1992. Dado o fato de que muitos economistas estejam prevendo que as perdas de emprego reduzirão no segundo semestre de 2010, o desemprego atual é ruim, mas não tão ruim como em outras recessões na história do estado.

T: É possível que com a melhora na economia possamos ver a taxa de desemprego aumentar assim que mais pessoas retornarem ao mercado de trabalho em busca de emprego?

M: Mudanças na taxa de desemprego nem sempre correspondem a mudanças positivas na economia por algumas razões. Primeiro, o desemprego é um indicador retardatário, frequentemente melhorando depois da economia, já que os empregadores frequentemente expandem a produção aumentando primeiro as horas disponíveis de trabalho ao invés de contratar funcionários adicionais. Trabalhadores adicionais são normalmente contratados somente quando os empregadores estão confiantes de que a recuperação da economia é forte o suficiente para garantir as contratações.

Em segundo lugar, mudanças nas taxas de desemprego dependem do relacionamento entre as taxas de crescimento em produtividade, produção e mão de obra. Por exemplo, se a taxa de crescimento da produtividade for zero, a taxa de desemprego vai crescer se a taxa de crescimento de produção for menor que a taxa de crescimento na mão de obra. Já a taxa de desemprego vai decrescer se a taxa de crescimento de produção exceder a soma das taxas de crescimento de produtividade e mão de obra.

T: Em 2009, os Estados Unidos experimentaram a maior contração em empréstimos bancários desde 1942. Esse pode não ser um problema para grandes empresas, que podem emprestar em mercados de títulos, mas a maioria das pequenas empresas não tem aonde ir a não ser o banco local. O que isso pode significar para a recuperação?

M: A recuperação da economia vai ficar mais lenta até que a confiança, a capacidade de empréstimos e a disposição para emprestar das pequenas empresas aumente. De acordo com a Federação Nacional de Empresas Independentes, as pequenas empresas atualmente se sentem menos confiantes sobre a economia do que se sentiram durante a recessão do final dos anos 90. Esse panorama econômico nada otimista leva à relutância de fazer compromissos na área de contratação e empréstimos – e deve ser superada para que pequenas empresas contribuam para a recuperação econômica de uma forma significativa. A necessidade de criar um ambiente empresarial positivo em Connecticut é profunda, já que 80% dos negócios em Connecticut têm 20 ou menos empregados.

T: Por que essa recessão atingiu tão severamente as pequenas empresas?

M: Muitos fatores, incluindo a redução dos empréstimos bancários e menor confiança do consumidor, contribuíram para um clima de negócios menos favorável para as pequenas empresas, como é o caso em todas as recessões. No entanto, pequenas empresas têm experimentado perdas de empregos maiores que em recessões anteriores.

De acordo com a Federação Nacional de Empresas Independentes, perdas de empregos em pequenas empresas representaram 45% de todas as vagas perdidas na recessão atual. Durante a recessão de 2001, perdas de vagas entre pequenas empresas significaram apenas 9% de todos os empregos durante a recessão. Finalmente, como o Wall Street Journal destaca, as pequenas empresas são menos prováveis de participarem do mercado de exportação do que as grandes empresas e, portanto, não estão experimentando aumento nos negócios com economias em crescimento como Brasil, Índia e China.

T: Em sua opinião, o que deve acontecer com a economia do estado para que atravesse o ponto crítico?

M: O caminho para a recuperação econômica começa com a criação de um clima de negócios que reduza o medo e a incerteza.

Medidas concretas, como resolver ou melhorar a crise no orçamento estadual levará a essa melhora no clima, assim como aumentar a disponibilidade de crédito e parcerias público-privadas que podem recomendar estratégias e práticas de negócios para o crescimento econômico significativo e sustentável. Resumindo, o crescimento econômico e nos negócios deve se tornar uma prioridade em Connecticut.

As pequenas empresas podem também se preparar para a sua própria recuperação econômica. A recessão mudou as regras do jogo, e pequenas empresas devem lutar para se tornar mais competitivas e eficazes.

Com a crise financeira, os consumidores estão economizando mais e gastando menos e precisam ser convencidos de que as empresas estão oferecendo valor diferenciado que atendem às suas necessidades, caso contrário, eles vão comprar em outro lugar.

Além disso, como a atual recessão nos mostra, as empresas devem avaliar os méritos de fazer negócios fora do país, para procurar novos mercados e oportunidades de crescimento.

Finalmente, pequenas empresas podem querer utilizar a expertise abundante nas faculdades e universidades estaduais para adquirir conhecimentos sobre as melhores práticas na gestão de negócios.




CONSULADO ITINERANTE EM DANBURY