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Português May 12, 2010  RSS feed

Uma conversa com Sharpton: Reverendo critica a lei de imigração do Arizona e toma uma atitude

Em uma entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna, o Rev. Sharpton compartilhou sua visão a

respeito dos últimos desdobramentos no debate nacional sobre a imigração.

Tribuna: Qual é a sua visão geral sobre a imigração ilegal?

Sharpton: Não acredito que não possamos proteger as fronteiras. Precisamos ter alguma regulação, mas acredito que o projeto da imigração no Arizona é errado. Acho errado discriminar e ter imigrantes como alvo. Acredito que muitas pessoas tenham vindo a esse país e se tornado cidadãos produtivos e têm contribuído com essa nação. Acredito que é no mínimo ingênuo e maldoso acreditar que vamos pegar onze ou doze milhões de pessoas e jogá-los para fora do país. Deveríamos ter uma política de reforma da imigração que nos levará do ponto em que estamos agora adiante, mas [para aqueles] que estão aqui – você não vai tirar todos. Hostilizar imigrantes legais e hostilizar pessoas que se tornaram cidadãos produtivos porque você diz estar procurando imigrantes ilegais é errado. É por esta razão que irei lutar contra isso.

T: O Presidente Obama é citado dizendo que esse projeto “mina a confiança entre a polícia e as nossas comunidades”. Você acredita nessa declaração? E você acha que a polícia de Arizona vai abusar dessa política?

S: Acho que o fato de que eles podem abusar é razão suficiente para ter motivo [de preocupação]. Na região de Phoenix, o xerife [Joe] Arpaio está apreendendo pessoas, então houve claramente alegações de abuso que estão sob revisão federal agora. Por que colocar em vigor uma lei que claramente abriria essa porta? Eu não acho que todos os policiais são maus. Eu não acho nem que a maioria dos policiais seja má, mas por quê sujeitar o público a um ou dois que iriam ultrapassar o limite e então ter a lei para apoiá-los?

T: O que a National Action Network planeja fazer agora que essa lei passou?

S: O trabalho do ativismo é manter uma questão viva e à vista do público. Em segundo lugar, nos unimos à Hispanic Federation (Federação Hispânica) e a desafiamos [a lei de Arizona] na corte. E em terceiro lugar, vamos ajudar a promover no Congresso leis federais de reforma na imigração que sejam justas – não as leis de estado-a-estado que são determinadas por propósitos políticos. Gostaria de ver uma lei que iria proteger e respeitar aqueles que já estão aqui e tem um princípio racional daqui para frente.

T: O que você acha que isso significa para o futuro do nosso país?

S: Em cada crise, há uma oportunidade. Acho que há uma oportunidade aqui para pessoas de diversas raças e etnias se unirem e verem que afroamericanos e latinos e brancos progressistas estão juntos nessa questão. Poderia acabar unindo mais pessoas do que dividindo.

“A missão do ativismo é manter

viva uma questão”

Três dias depois da sua visita à Igreja Batista New Hope em Danbury, Sharpton liderou uma vigília de oração em Phoenix, Arizona, em 5 de maio, onde ele pediu por uma desobediência civil massiva contra a nova lei estadual anti-imigração.

De acordo com relatórios, uma reunião diversa de cerca de 2.500 pessoas na Igreja Batista Phoenix Pilgrim Rest assinou abaixo-assinados para se unir a Sharpton, que jurou cometer desobediência civil caso a lei entre em vigor.

“Eles estão tentando legalizar algo que só vai levar à discriminação racial”, afirma Sharpton.

“Traremos as pessoas para o Arizona no espírito das ‘caravanas pela liberdade’”, disse ele, referindo-se aos protestos do movimento de direitos humanos da década de 60 contra a segregação no Sul.

O evento terminou com Sharpton liderando uma marcha noturna no centro de Phoenix, que se estendeu por quadras. Os números pareciam crescer enquanto as pessoas se juntavam pelo caminho. Alguns saíram de restaurantes ou acenaram de sacadas para expressar seu apoio.