A travessia da fronteira dos EUA pode se tornar uma jornada fatal sem destino

Traduzido por Angela Barbosa
O recente massacre ocorrido em uma fazenda na região nordeste do México, no estado

de Tamaulipas, deixou 72 vítimas e um único sobrevivente. Esta fatalidade salienta como o reforço da seguranca na fronteira entre os Estados Unidos e o México é um compon crucial e necessário na tão esperada legislação de reforma imigratória.

Estes crimes bárbaros nos chocam e nos fazem refletir sobre a responsalidade de familiares e amigos que incentivam a perigosa travessia pelo deserto - deixando de relevar os inúmeros riscos que hoje os imigrantes enfrentam nas mãos de coiotes ou criminosos ligados aos cartéis de drogas operando nas regiões fronteiriças dos EUA.

A travessia da fronteira do México com os EUA já não acontece hoje como a dez anos atrás, quando o maior risco que os atravessadores enfrentavam era o de serem apreendidos por agentes de imigração ou enfrentarem os elementos naturais do deserto como o calor escaldante e serem atacados por animais selvagens.

Hoje em dia, o sistema de travessia da fronteira tornou-se um negócio lucrativo dominado não necessariamente por gangs de tráfico humano, mas crescentemente pelos poderosos cartéis do tráficode drogas. Com acesso supostamente ilimitado e posse de armamentos militares, estes traficantes veem nos imigrantes que arriscam suas vidas em busca do sonho de vir para os Estados Unidos, a oportunidade de extorquir dinheiro ou recrutá-los para uma vida de crime – ou mesmo um alvo para matar caso resistam e se neguem a cumprir suas exigências.

No caso do massacre em Tamaulipas em 24 de agosto, por exemplo, os corpos de 72 pessoas - 58 homens e 14 mulheres - foram encontrados em local próximo a San Fernando, após o único sobrevivente, o equatoriano Luis Fredy Lala Pomavilla, ter aparecido em um posto de controle da Marinha mexicana. Ele disse que tinha sido atacado por atiradores de um cartel de traficantes e conseguido fugir.

Indiferente da dificuldade financeira que enfrenta no país de origem - preocupação constante com a segurança, a escassez de oportunidades para crescer e ser bem sucedido, falta de esperança - a opção de atravessar a fronteira pode facilmente tornarse um jogo mortal de Roleta Russa.

Muitos embarcam nesta jornada, mas muitos outros jamais conseguem chegar ao destino e realizar seus sonhos. Na verdade, o sonho acaba quando o sonhador perde sua vida - um preço alto a se pagar, que acredito não valer a pena.

Para os entes queridos que contavam em talvez se beneficiar da coragem do sonhador e um dia também poder vir para a América, fica apenas o vazio da perda permanente e inconsolável, principalmente quando a perda ocorreu de forma tão brutal como em Tamaulipas.

São em momentos como este que as pessoas realmente se dão conta da gravidade e das consequências que a travessia ilegal traz.

Muitas questionam o por quê os familiares dessas 72 vítimas não tentaram impedí-las de vir; outras justificam o ato e dizem que foi “pura falta de sorte”. Mas há também aquelas que relevam se esta aventura perigosa na fronteira realmente vale a pena? Bem, será que vale?




CONSULADO ITINERANTE EM DANBURY