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Imigrantes em perigo: Violência iminente na jornada até os EUA

Traduzido por Juliana Lima
Em 24 de agosto, Luis Freddy Lala, 18 anos, ferido, cambaleou até uma barreira da

marinha perto de Tamaulipas, México, e alertou as autoridades do que tinha testemunhado e sobrevivido. Lala levou os fuzileiros navais a um rancho, onde foram encontrados 72 corpos de imigrantes da América Central e América do Sul, a apenas 160 quilômetros da fronteira dos EUA.

De acordo com o porta-voz de segurança do governo, Alejandro Poire, o imigrante disse às autoridades que seus capturadores se identificaram como Zetas, uma gangue de ex-militares das forças armadas especiais mexicanas, e que os imigrantes, 58 homens e 14 mulheres, eram do Brasil, Equador, El Salvador e Honduras.

O governo Mexicano está em contato com esses países para confirmar as identidades dos imigrantes. Autoridades consulares do Brasil, Equador e El Salvador não tinham confirmação imediata se haviam ou não cidadãos de seus países entre os mortos.

Se as investigações confirmarem a história de Lala, a chacina será o exemplo mais chocante até agora da situação de imigrantes tentando cruzar um país onde os cartéis de drogas patrulham cada vez mais abrigos e estradas, esperando extorquir ou até recrutar imigrantes vulneráveis. Poire destacou que os imigrantes são, de fato, frequentemente seqüestrados por capangas de cartéis exigindo dinheiro, às vezes entrando em contato com parentes nos Estados Unidos para exigir resgates, e que o governo também acredita que os cartéis estão tentando cada vez mais recrutar imigrantes como soldados.

Uma história entre 72

De acordo com a Associated Press, a família de Lala contou à televisão equatoriana, em 26 de agosto, que ele saiu de sua cidade remota nas Montanhas Andinas há dois meses, na esperança de chegar aos Estados Unidos. “Disse a ele para não ir, mas ele foi”, contou um de seus irmãos, Luis Alfredo Lala, a uma emissora de televisão da cidade. Os pais de Lala já moram nos Estados Unidos e enviam dinheiro para a família, e Lala era o principal arrimo dos seus oito irmãos e sua avó, de acordo com a prima, Maria Ignacia Gualga.

Lala, que está se recuperando de um tiro no pescoço em um hospital em Matamoros, no leste do México, tem uma esposa de 17 anos de idade grávida no Equador, Maria Angelica Lala. Ela contou à Teleamazonas que o marido pagou $15.000 ao coiote que deveria guiá-lo aos Estados Unidos.

O tal coiote aparentemente tentou esconder o destino de Lala de sua família, ligando em 25 de agosto para dizer que ele tinha chegado a salvo em Los Angeles. Foi no dia seguinte aos fuzileiros mexicanos, seguindo a dica de Lala, chegarem ao rancho, acharem os imigrantes mortos, apreenderem 21 rifles e espingardas e deterem um menor, que supostamente faz parte do bando.

A morte de um sonho

Em 2009, a Comissão Nacional de Direitos Humanos (Comisión Nacional de Derechos Humanos, CNDH) publicou um relatório especial documentando os níveis alarmantes de abduções de imigrantes por gangues criminosas, e abusos relacionados. O relatório concluiu que, baseando-se em entrevistas conduzidas, 9.758 imigrantes foram sequestrados em um período de seis meses entre 2008 e 2009, incluindo pelo menos 57 crianças.

O relatório sugeria que o México estava passando por uma epidemia oculta de sequestros, com a maioria dos abusos mais severos ocorrendo nos estados atravessados pelos trens de carga nas principais rotas utilizadas por imigrantes, tais como Chiapas, Oaxaca, Tabasco, Veracruz e Tamaulipas, onde o massacre ocorreu. A jornada através do México se tornou mais e mais traiçoeira à medida que suspeitos de praticar o tráfico de drogas expandem para outros negócios, incluindo tráfico de pessoas, forçando “coiotes” a entregar seus imigrantes.

“Todo ano, milhares de imigrantes são seqüestrados, ameaçados ou atacados por membros de gangues criminosas”, afirma a Anistia Internacional em um relatório divulgado em abril. “Extorsão e violência sexual estão difundidos e muitos imigrantes somem ou são mortos. Apenas alguns desses abusos são relatados e na maior parte dos casos, os responsáveis nunca são punidos”.

Com a tragédia em Tamaulipas, foi a terceira vez este ano que autoridades mexicanas descobriram grandes quantidades de cadáveres. Nos outros dois casos, os investigadores acreditam que os corpos haviam sido despejados nos locais por um longo período de tempo.

Em maio, autoridades descobriram 55 corpos em uma mina abandonada perto de Taxco, uma cidade da era colonial ao sul da Cidade do México, que é popular entre turistas.

Em julho, investigadores acharam 51 corpos em dois dias de escavação em um campo perto de um lixão ao norte da metrópole de Monterrey.




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