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Português September 1, 2010  RSS feed

População de imigrantes dá vida nova ao centro da cidade

Traduzido por Juliana Lima
Como praticamente em qualquer cidade americana, foi a população imigrante

Nilton Coelho, proprietário do Banana Brasil e Fran Silveira, proprietária do DeCastro Salon & Spa Nilton Coelho, proprietário do Banana Brasil e Fran Silveira, proprietária do DeCastro Salon & Spa que ajudou a formar as respectivas economias, arquitetura, cultura e valores sociais.

A partir de 1960, quando os shoppings começaram a surgir no cenário dos subúrbios, o centro da cidade começou a perder seu brilho. À medida em que mini-shoppings sem arquiteturas elaboradas repentinamente começaram a crescer e shoppings centers eventualmente evoluíam para se tornar mega-shoppings, os centros foram perdendo o tráfego de pedestres; a falta de pedestres trouxe a morte de pequenas empresas, assim como varejistas populares nacionais.

Foram, de uma maneira geral, a população imigrante ou os americanos de primeira geração que evitaram que os centros se tornassem cidades-fantasma. O centro de Danbury também foi afetado pelo crescimento nos arredores da cidade ao longo da Federal Road, assim como a construção do Danbury Fair Mall. As vitrines vazias ao longo da Main Street foram lentamente preenchidas por proprietários de lojas imigrantes. Os tempos estavam melhorando. Mais brasileiros e equatorianos estavam se unindo a americanosportugueses que tinham uma antiga e próspera comunidade na cidade. Antes da recessão chegar, no entanto, foi uma repressão aos imigrantes ilegais que criou um buraco no centro, além de dividir os residentes da cidade. Espantados pelos rumores, medo e desespero, muitos novos imigrantes deixaram a cidade em direção a Bridgeport, Waterbury, Naugatuck e até Florida.

Emanuela Lima, editora e diretora executiva do Jornal Tribuna, atuou como uma tradutora dessa história.

‘País de muitas oportunidades’

Nilton Coelho, proprietário do Banana Brasil, lembra dos bons tempos antes de 2007. Há cerca de 17 anos, Coelho veio a Danbury de Sardoá, Minas Gerais, para “ficar um pouco” e visitar a irmã e o marido dela, que eram proprietários de um açougue e restaurante, e precisavam da habilidade dele para cortar carnes ao estilo brasileiro. O corte brasileiro é considerado mais nobre que o americano. Um ano e meio depois, ele quis se virar sozinho. Então, junto com um primo, iniciou uma empresa de paisagismo. Não foi um bom negócio. “Eu era um peixe fora d’água.” Ele quis voltar para o negócio de restaurantes e se tornou sócio da irmã. Naquela época, o Banana Brasil tinha metade do tamanho que tem hoje. Coelho ajudou a expandir o negócio comprando uma alfaiataria adjacente, e transformando-a para adicionar um buffet. Ele também comprou outra loja adjacente para criar um mercado brasileiro. Depois que sua irmã se mudou para a Filadélfia para abrir um restaurante, ele abriu um restaurante em Bridgeport. As coisas iam bem. Os fregueses faziam filas na porta para comer nesse restaurante adornado com tinta amarela, que parece mais brilhante que o sol. “E então a coisa toda sobre imigração explodiu.” A clientela literalmente desapareceu ou se mudou. Ele fechou o mercado e vendeu o restaurante de Bridgeport. Cortou as horas de trabalho no Banana Brasil.

O restaurante servia como um termômetro econômico para qualquer um que passasse à pé ou de carro na Main Street. O tempo passou. Os imigrantes que ficaram perceberam que ninguém estava sendo deportado imediatamente. Coelho mudou seu menu para atrair mais americanos, tanto quanto hispânicos. Ele também passou a oferecer um prato especial difícil de competir, que fornece comida suficiente para um jantar ou sobras suficientes para levar ao trabalho no dia seguinte. Ainda há menos gente caminhando pela Main Street. “Há quinze anos não havia tantas empresas de imigrantes. Hoje há mais empresas, mas menos negócios.” Coelho se mantém otimista. “Este é um país de muitas oportunidades. Se você seguir sua intuição pode se dar bem aqui. Me sinto como um americano.”

‘Imigrantes construíram

a cidade’

A umas duas quadras do restaurante, do mesmo lado da rua, fica o escritório de advocacia Ventura, Ribeiro & Smith. Americo S. Ventura fundou a empresa em 1957. Ventura nasceu em Danbury, filho de imigrantes portugueses. Ele nunca esqueceu suas raízes, conta o seu sócio Agostinho – Augie para seus clientes e amigos – Ribeiro. Ele conta que Ventura apoiou a onda de portugueses que veio entre os anos 50 e 70. Ele fez tanto para a comunidade portuguesa que Ribeiro sugere olhar o site do escritório, vrslaw.com, para ter uma amostra das suas realizações. “Ele foi membro tanto dos clubes Sons of Portugal (Filhos de Portugal) e Portuguese American (Português Americano) e é membro do sucessor de ambos os clubes, o Portuguese Cultural Center (Centro Cultural Português), em Danbury, e é responsável pela biblioteca do centro. Ele é membro fundador do Sons of Portugal Scholarship Fund (Fundo Educacional Filhos de Portugal) e é também um dos fundadores originais da Igreja Immaculate Heart of Mary (Imaculado Coração de Maria).”

“Ondas de imigrantes construíram a cidade através dos anos. Apoiar grupos de imigrantes deveria ser a declaração de missão da cidade”, disse Ribeiro. Conforme a população de imigrantes mudava com os brasileiros e hispâncos chegando no final da década de 80, o escritório de advocacia serviu como uma firma para todos os propósitos para a comunidade, afirma Ribeiro, que está na empresa há 20 anos. O escritório hoje tem 12 advogados, muitos americanos de primeira geração. Ribeiro sente que eles são mais compassivos com os novos imigrantes e oferecem mais empatia. “Recrutamos advogados que falem duas ou três línguas. A conexão com o cliente tem a ver com o idioma. Você não consegue trazer um tradutor e ter a mesma experiência”, afirma Ribeiro.

“Ao oferecer um serviço compassivo e empático, sua marca se expande com eles”, conta.

Criando uma nova vida

O único fio condutor que liga os imigrantes através das décadas é o senso de aventura e o espírito empreendedor; sair de seus países e criar uma nova vida em outro país. Fran Silveira, proprietária do DeCastro Salon and Spa na Main Street, é uma dessas imigrantes. “Há seis anos, eu e meu filho viemos para os Estados Unidos.”

Essa simples declaração mostra a coragem necessária para Silveira vir para os EUA e criar um novo negócio.

Silveira trabalha com estética há 20 anos. Ela tinha um salão na cidade de Paraíso do Tocantins, na Região Norte do Brasil. Assim que chegou a Danbury, trabalhou para outros salões, até ter dinheiro suficiente para abrir o seu próprio, há 18 meses, na Main Street. Sua clientela é 80 por cento brasileira, com os outros 20 por cento americana. O salão inclui um programa de perda de peso baseado em drenagem linfática. O salão também tem escovas brasileiras, um processo de alisamento do cabelo. A resposta para o porquê de ter vindo aos EUA com seu filho está no nome do seu salão. DeCastro era o nome do marido dela. Ele morreu há nove anos no Brasil. Silveira deu o nome à empresa em homenagem a ele.

‘Nosso momento de brilhar’

Richard Reyes recebeu um diploma em negócios na NYU e estava trabalhando no mercado financeiro em Manhattan quando decidiu que era hora de ajudar a gerenciar o “show”. O “show” consiste do Amigo’s Deli and Market na West Street e o Minas Carne Deli and Churrascaria na Osborne Street e Moss Avenue. Uma visita recente a ambos os lugares na hora do almoço prova que é um show movimentado.

A família Reyes se mudou da República Dominicana para Danbury em 1989. Dois anos depois, o pai de Reyes, Luis, abriu o Amigo’s como uma lanchonete rápida latina. Junto com Luis no empreendimento estavam “minha mãe, minha tia e meu padrinho”. O negócio provou ser muito bem-sucedido, atraindo não só latinos pela cozinha saborosa, mas americanos e afro-americanos também. Em 2000, a deli se expandiu, adicionando um balcão de carnes que contava com dois açougueiros brasileiros. O irmão de Reyes, Juan, graduado pela faculdade de culinária de Wales and Johnson, cuida dos cardápios de ambos os lugares.

Reyes conta que a família pensava em adicionar um restaurante e, em 2008, comprou o Minas Carne. Ele disse que a família renovou o lugar e mudou tudo, exceto o nome e o cardáp que inclui um buffet e churrasco. O restaurante atrai estudantes da Western Connecticut State University, que é próxima, assim como policiais, advogados e trabalhadores diários. Como é tão perto da faculdade, Reyes conta que oferece desconto de 10 por cento aos estudantes.

“Meu pai fez a base”, disse Reyes, complementando que o Amigo’s agora tem um site. Os dois restaurantes participam do Taste of Danbury, assim como de feiras gastronômicas na faculdade. E Reyes destaca enfaticamente que eles não só entregam a comida e deixam para os outros servirem. A família está ativamente envolvida. “É a nossa vez de brilhar.”