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Agentes Comunitários Levam Saúde à Sua Porta

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Emanuela P. Leaf

Imagine um trabalhador, membro da equipe de saúde, que visita pacientes em suas residências e incentiva comportamentos saudáveis. Em uma casa, ele lembra um homem idoso de tomar o medicamento de pressão sanguínea e, no seguinte, ele pode ajudar uma mulher diabética a melhorar sua dieta. Ou ele pode lembrar adolescentes grávidas das consultas médicas, fornecer educação sobre amamentação, incentivar pessoas com comportamentos de alto risco a realizarem o teste de HIV e ajudar outras a terem acesso ao seguro de saúde.

Esses trabalhadores existem. Eles são chamados de agentes comunitários de saúde (ACS) e podem ser encontrados tanto em comunidades rurais quanto urbanas, e compartilham etnia, idiomas, status socioeconômico e experiências de vida com os membros da comunidade.

Dez estados estabeleceram um processo de certificação para formalizar o conhecimento e as habilidades e para aumentar o reconhecimento dos ACS. Os benefícios da certificação são de que os prestadores de cuidados de saúde são mais propensos a contratar agentes comunitários certificados, e programas Medicaid e seguradoras privadas de saúde também são mais propensos a aprovar pagamentos por serviços prestados por eles.

A Connecticut Health Foundation (CT Health), a maior organização filantrópica independente de saúde do estado, dedicada a melhorar a vida das pessoas mudando os sistemas de saúde, divulgou um resumo da política descrevendo como agentes comunitários de saúde (ACS) podem melhorar os resultados de saúde, reduzir as disparidades e reduzir custos.

“A CT Health espera que esta pesquisa e os avanços em outros estados forneçam as provas e o modelo necessários para convencer os principais tomadores de decisão de Connecticut de que os trabalhadores de saúde da comunidade devem ser apoiados por meio de formação, certificação, transformação prática e pagamento, se o estado realmente quiser atender a evolução das necessidades do sistema de saúde”, disse Elizabeth Krause, vice-presidente de política e comunicação.

“Intervenções dos ACS ajudam os pacientes a entenderem e seguirem as orientações dos médicos. Isso é importante porque o nosso modelo de prestação de cuidados de saúde se afasta do sistema tradicional de pagar pelo serviço para um novo sistema de compra de serviços baseada em valor: pagar por serviços de uma forma que premia prestadores de cuidados de saúde para a entrega de melhores cuidados a um custo menor”, acrescentou Krause.

A análise “O Sistema de Saúde de Amanhã Precisa de Agentes Comunitários de Saúde: Uma Agenda Política para Connecticut” foi encomendada pela CT Health e realizada pelo Centro Médico para a Economia e Direito da Saúde da Universidade de Massachusetts (UMass).

O resumo descreve passos que podem guiar os esforços de Connecticut em criar um sistema de saúde proativo e sensível às expectativas do sistema de saúde do futuro. Connecticut está singularmente posicionada para avançar como líder na implementação do Affordable Care Act. Por exemplo, o Modelo de Inovação de Connecticut é um passo para cultivar uma força de trabalho de ACS robusta.

“Médicos muitas vezes se sentem frustrados por não poder influenciar as ações de seus pacientes assim que eles saem dos consultórios. Os ACS estendem os cuidados de saúde para além das paredes das clínicas. Eles ajudam os clientes a gerirem a própria saúde”, disse Katharine London, diretora do Centro Médico para a Economia e Direito da Saúde da Universidade de Massachusetts (UMass) e principal autora do estudo.

Mas trabalhadores de saúde na comunidade não são um conceito novo.

De acordo com o American Journal of Public Health, muitos outros países têm nos ACS membros importantes de suas equipes de saúde há décadas. O Brasil é um excelente exemplo de país que começou a usar os ACS na década de 1980. Os resultados atribuídos aos ACS eram tão substanciais que, em 1994, o governo incluiu-os nas equipes de saúde primária do Programa Nacional de Saúde da Família.

Hoje, cada equipe é composta por um médico, um enfermeiro, um enfermeiro técnico, outros profissionais de saúde e seis ou mais agentes comunitários de saúde. Cada equipe atende 3.450 a 4.500 pessoas. Após cerca de três décadas de organização e lutas coletivas, os ACS brasileiros carregam um grau de associado e são muito respeitados pelos profissionais de saúde e pelo povo brasileiro. Os Estados Unidos podem olhar para o Brasil como um modelo de equipe que inclui agentes comunitários de saúde na promoção da saúde e bem estar de sua população.

Para obter mais informações sobre o trabalho da Connecticut Health Foundation, por favor visite o site http://www.cthealth.org/.

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