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DeLauro Pede ao Papa que Enfrente os Males Sociais em Discurso no Congresso

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Por Ana Radelat | CTMirror.com

Washington – Rep. Rosa DeLauro liderou um esforço com os democratas do Congresso para incentivar o Papa Francisco a levar seus ensinamentos sociais ao Congresso, quando o pontífice fizer seu discurso histórico no próximo dia 24 de setembro.

“Seu poderoso exemplo de solidariedade com os pobres e os marginalizados, sem dúvida, vai ajudar em nossos debates atuais em torno da política dos EUA que afeta os americanos”, disse DeLauro, do distrito D-3, em uma carta que também foi assinada por 91 outros democratas, incluindo os representantes de Connecticut, John Larson, do distrito D-1; Joe Courtney, do distrito D-2; e Elizabeth Esty, do distrito D-5.

A carta, enviada ao Vaticano em meados de agosto, é uma mistura de política e piedade. Ele aconselhou ao Papa que “a sua mensagem de esperança não poderia vir em um momento mais crucial, especialmente para aqueles em nosso país que estão lutando recebendo um salário mínimo, ou que dependem de assistência pública para colocar comida na mesa.”

DeLauro, entusiasta do vale-refeição e de diversas outras assistências nutricionais para pessoas de baixa renda, que também é um forte defensor do aumento do salário mínimo federal, disse ao papa: “Nós estamos no meio de uma batalha, tentando ampliar essa discussão, mas é uma questão delicada nesta nação”.

A carta lista essas questões – cuidados de saúde, a discrepância cada vez maior entre ricos e pobres, as alterações climáticas, a imigração e o aumento das tensões raciais, “só para citar alguns”.

O documento, que tem o apoio de muitos dos deputados democratas mais liberais, censurou “alguns no Congresso (que) se recusaram a priorizar o aumento do salário mínimo”.

Será a primeira vez que um papa participa de uma sessão conjunta do Congresso.

Como muitos de seus predecessores, o Papa Francisco discorda dos Estados Unidos – e, especialmente, dos republicanos no Congresso – em questões de guerra e de política social.

O Presidente Obama disse que o Papa discutiu sobre “os pobres, os marginalizados e a crescente desigualdade” durante uma reunião em Roma, em março deste ano, por isso, não vai ser uma surpresa se ele mencionar os temas que querem os amigáveis democratas, durante o seu discurso no Congresso.

Papa Francisco também escreveu uma encíclica de 184 páginas sobre as alterações climáticas, que ele chamou de “um novo diálogo sobre a forma como estamos a moldar o futuro do nosso planeta”, especialmente o futuro dos mais pobres, que são os mais afetados pelas mudanças climáticas. Ele pediu às nações industrializadas para conter suas emissões de carbono e outros poluentes, uma mensagem que se choca com a posição de muitos republicanos sobre a questão.

O papa também falou sobre a imigração, novamente de uma forma que os republicanos do Congresso podem não gostar – sugerindo que os Estados Unidos acolham os imigrantes.

Com semanas antecedendo a sua viagem para os Estados Unidos, o Papa já começa a se conectar com alguns americanos em reuniões virtuais no Vaticano. Ele tem conversado com um grupo de estudantes da Cristo Rey Jesuit High School de Chicago; com a Igreja do Sagrado Coração, em McAllen, Texas; e com um grupo de homens e mulheres sem-teto de Los Angeles.

No início deste mês, o Papa Francisco disse que iria permitir que padres católicos absolvessem as mulheres que tiveram abortos, se elas buscarem o perdão durante o próximo Ano Santo de Misericórdia, que começa no dia 8 de dezembro.

A visita do Papa Francisco inclui Washington, DC, Nova York e Filadélfia. Depois, ele fará uma parada em Cuba.

Ele foi convidado para falar no Congresso pelo presidente da Câmara, John Boehner, representante de Ohio, que havia proposto convites semelhantes a dois de seus predecessores.

“Eu finalmente consegui”, disse Boehner, depois que o papa Francisco aceitou o convite.

Boehner admitiu a mensagem do papa pode concordar completamente com a ideologia GOP.

“Ele tem algumas posições que são um pouco controversas, mas ele é o Papa”, disse.

O Pew Research Center estima que um terço dos membros do Congresso é católico.

Foi dado um convite extra para cada legislador convidar alguém.

Larson convidou sua esposa para o discurso do papa. Outros membros da delegação do Congresso de Connecticut ainda não se decidiram quem vão convidar. Alguns, incluindo o senador Chris Murphy, dizem que vão anunciar seus convidados em breve.

O Departamento de Estado informou aos legisladores sobre o protocolo para o encontro com o papa. Eles são aconselhados a usar cores escuras. As mulheres devem usar camisas de mangas que cobrem os cotovelos e as bainhas devem cair abaixo dos joelhos.

Ninguém deve se aproximar do papa se não for convidado, diz o Departamento de Estado.

Se o Papa se aproximar de você, recomenda-se que aperte a sua mão ou, se você é católico e deseja fazê-lo, beije o anel do papa – que ele usa em sua mão direita.

O pontífice também aparecerá em uma cerimônia de boas vindas na Casa Branca, e ele vai celebrar uma missa na basílica católica em Washington.

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