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Entrevista com o Comissário do DMV Andres Ayala

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Traduzido por Frederico Alberti

O senador Andres Ayala Jr., D-Bridgeport, foi empossado no mês passado como novo comissário do Departamento de Veículos Motorizados (DMV, em inglês), tornando-se o primeiro latino na administração do governador Malloy a ser nomeado chefe de departamento.

Ayala, de 45 anos, um professor de estudos sociais e ex-presidente da Câmara Municipal de Bridgeport antes de se eleger por três mandatos na Câmara dos Deputados e dois no Senado, assumiu o departamento de trânsito, durante a implementação do Drive Only, uma lei estadual que autoriza a emissão de carteiras de habilitação especial para imigrantes que não têm status legal nos Estados Unidos.

“Creio que a nomeação de um comissário latino fluente em espanhol envia uma importante mensagem para uma grande parcela da população, tanto documentados quanto indocumentados, que Connecticut é um estado no qual todos os cidadãos são tratados de forma justa”, disse Malloy ao anunciar Ayala numa conferência de imprensa no Capitólio do Estado

Em entrevista exclusiva, o Comissário Ayala compartilhou com o Tribuna seus pensamentos sobre os desafios à frente do departamento e sobre a implementação do programa Drive Only.

Tribuna: Como suas experiências pessoais, políticas e profissionais o qualificam para liderar o DMV neste momento em que a agência está passando por algumas transições e implementação de novos programas?

Comissário: Do ponto de vista pessoal, tenho que agradecer aos meus pais. Eles me deram uma boa educação, que serviu de base para todo o meu sucesso profissional, como educador na Escola Secundária de Bridgeport por 21 anos, como vereador, como o primeiro latino a ser presidente da câmara, como deputado por três mandatos e como senador, o primeiro senador estadual latino em Connecticut.

No lado político, tenho que agradecer ao meu círculo eleitoral de Bridgeport e da cidade de Stamford.

Todas as vezes em que eu tive a oportunidade de concorrer a um cargo e de contar com seu apoio, eles ajudaram. Por causa disso, fui capaz de usar essa experiência valiosa como funcionário público para criar esta oportunidade atual, de atuar como comissário do DMV. Estou muito, muito grato ao governador Malloy por me nomear o comissário do DMV e por confiar que eu posso fazer um bom trabalho.

Tribuna: Apesar de não ser o comissário durante o planejamento do programa Drive Only, você estava no comando da sua implementação e como legislador. Então, acredito que você votou a favor do programa?

Comissário: Votei, com certeza! Eu fui um grande defensor da legislação do Drive Only. E deixe-me começar por dizer que a administração anterior, o comissário Currey e a equipe do DMV fizeram um trabalho incrível para garantir que o Drive Only fosse tão bem sucedido como é neste momento. Como qualquer outra coisa, há sempre pequenas questões que surgem, mas por causa do trabalho dos advogados da comunidade, do jornal Tribuna e de todos os outros grupos da comunidade, temos sido capazes de conter a onda de desinformação, de pessoas dizendo ou fazendo coisas que não são verdadeiras.

Tribuna: Você sabe quantos candidatos ao Drive Only o DMV já registrou?

Comissário: Em 28 de janeiro, o número de consultas realizadas superava 34 mil. Eu acho que neste momento temos agendamentos para até setembro ou outubro. Desde 2 de janeiro, quando começamos o teste de conhecimentos, 2.270 pessoas se submeteram e 1.710 foram aprovadas. Então, as coisas estão indo fenomenalmente bem e, mais uma vez, comprovam o bom trabalho feito por grupos comunitários para garantir que as pessoas estudem e façam tudo o que precisam fazer para conseguir entrar no DMV, se inscreverem, fazer o teste e serem aprovadas.

Tribuna: Em comparação com as taxas de aprovação para carteiras de motorista verificadas e não-verificadas, como são as taxas de aprovação no Drive Only?

Comissário: Eu diria que eles estão na meta. Eu acho que entre candidatos para carteiras verificadas e não-verificadas, aqueles que têm status legal no país, [as taxas de aprovação] giram em torno de 70%. Com os candidatos do Drive Only, estamos vendo os mesmos números, o que é muito bom, já que em outros estados que têm o programa, os números são decepcionantes e a maioria dos candidatos é reprovada. Em Connecticut, as pessoas estão se saindo muito melhor.

Tribuna: Você recentemente organizou uma reunião com as organizações comunitárias de base e compartilhou alguns números com elas. Alguns desses números positivos você já tinha compartilhado, como o número de candidatos registrados e suas taxas de aprovação. Mas houve também algumas tendências alarmantes, a respeito de um número muito elevado de candidatos que não tinham os documentos adequados para provar a sua residência no estado. Você pode compartilhar um pouco a sua opinião sobre isso e como a comunidade pode ajudar o DMV se preparando melhor?

Comissário: Claro. Como qualquer outra coisa, tem muito a ver com educação e com as pessoas tendo acesso às informações. Percebemos que, quando as pessoas trazem documentos errados, é porque alguém disse: “Você pode usar esse ou você pode fazer isso.” Mas, se as pessoas seguirem a lista oficial de documentos fornecida a elas, elas verão que é fácil. Se você quiser adivinhar quais documentos serão aceitos, você não será bem sucedido. É importante não dar ouvidos a pessoas que não necessariamente têm interesse em ajudar. Basta ir até o site oficial do DMV, ou se informar pelos grupos comunitários ou pelo jornal Tribuna que tudo dará certo.

Tribuna: Outra preocupação é se a informação dada ao DMV vai ser compartilhada com os funcionários da imigração.

Comissário: Absolutamente não. O DMV não compartilha nenhuma lista com ninguém; não fornecemos qualquer lista para a Homeland Security (Departamento de Segurança Nacional) ou qualquer coisa assim. Agora, o que eu posso dizer, e isso é por nosso departamento jurídico, se há um incidente isolado por, digamos, John Doe ter cometido algum tipo de crime ou estar sendo procurado, se formos intimados a fornecer a informação, nesse caso, teríamos que compartilhar. Mas isso apenas acontece quando alguém comete um crime realmente grave. Então, eu diria que 99% das pessoas trabalham duro e querem obter esta carteira de habilitação para poder ir e voltar do trabalho, para poder levar seus filhos na escola, para fazer as tarefas, para fazer as coisas que eles precisam. Se eles não vão se envolver em qualquer atividade criminal, eles podem ter a absoluta tranquilidade de que seus documentos não serão entregues à imigração.

Tribuna: Durante a reunião com os líderes comunitários, outro ponto de tensão foi o compromisso do DMV em garantir que as pessoas tenham uma boa experiência como clientes. Poderia explicar sobre os sistemas que existem caso a pessoa sinta que tenha sido injustiçada durante o processo?

Comissário: Deixe-me começar dizendo que a minha visão sobre o DMV é estar sempre focado no cliente. Nós queremos ter certeza de que cada cliente que entra no DMV vai ser valorizado, porque temos prazer em tê-los lá e vamos atendê-los bem. Então, essa é a primeira coisa em minha mente e, em sua maioria, eu diria que está na mente de todos os funcionários da equipe. Agora, existem questões que acontecem durante o dia e alguém pode sentir que não esteja obtendo esse tipo de serviço? Eu diria que reclamações são exceções. Dito isso, nós queremos nos esforçar para garantir que o serviço ao cliente esteja sempre na vanguarda de tudo o que fazemos, porque entendemos nossos clientes. Eles são as pessoas do Estado de Connecticut, sejam ou não documentados.

Para qualquer pessoa que tenha algum problema em qualquer uma das nossas agências, há os direitos dos consumidores. Se não concordar com qualquer decisão de nossos funcionários, ela pode pedir para falar com um supervisor, que irá analisar a situação.

Agora, lembre-se, como eu disse, pode haver situações em que a pessoa do atendimento e o supervisor estejam realmente seguindo a política e os procedimentos do DMV, mesmo que os clientes não gostem. Nesse caso, eles podem ligar aqui no escritório do comissário e falar com um dos nossos funcionários que estarão prontos para atendê-los. E gostaríamos de fazer mais pesquisas para descobrir se realmente existe um problema e encontrar uma resposta. Eis o que eu gostaria de deixar seus leitores saberem: o DMV não está sempre errado. Pode haver problemas em que o cliente é o único errado e, infelizmente, não podemos fazer a transação. Mas estamos felizes em fornecer informações sobre como essa pessoa pode corrigir o problema para seguirmos adiante.

Tribuna: Qual sua mensagem para os próximos candidatos do Drive Only especialmente da comunidade imigrante, considerando que você deseja que o relacionamento do DMV com essa comunidade avance, e as melhores dicas para o candidato que vai interagir com o departamento?

Comissário: Em primeiro lugar, eu quero as pessoas que recorram ao programa da carteira Drive Only saibam que o DMV está aqui para servir. Essa é a nossa função principal, prestar serviço ao povo de Connecticut. O que diria em relação ao Drive Only é que as pessoas não devem se apressar em agendar, se não estiverem prontas para fazer o teste. Então, o que eu quero dizer com isso? Quero dizer que, primeiramente, garanta que tenha a documentação adequada, que você tenha a verificação de endereço correta. Se você não fizer esse primeiro passo direito, você nunca vai chegar ao segundo passo. Então não faça inscrições até que você tenha tudo o que precisa.

Em segundo lugar e, provavelmente, o mais importante, é estude, estude, estude. Quero dizer que seria uma pena levantar toda a documentação, pagar a taxa do teste e depois não estar preparado. Eu sei que é um programa novo e as pessoas estão animadas, mas eu gostaria de aconselhá-las a se prepararem para serem aprovadas. Você vai descobrir que, se der toda essa atenção à preparação, sua experiência com o DMV será muito melhor. O que acaba acontecendo quando alguém não passa no teste é dizer que o departamento de trânsito é a pior coisa do mundo. Bem, você quer saber? Como professor, eu digo a todo mundo que eu nunca reprovo os alunos, eu passo alunos. Agora, se você não fizer o trabalho necessário, você não pode passar.

Comissário: Agradeço a você, pessoalmente, agradeço ao jornal Tribuna e à sua organização, por liderar o caminho em sua comunidade para garantir que ela esteja bem informada, para se certificar de que ela tenha a informação adequada. E mais uma vez elogio sua organização pelo esforço, por fazer as traduções para fornecer os recursos necessários para que as pessoas em sua comunidade obtenham êxito. É por causa de pessoas como você e pelo seu jornal que somos capazes de sermos tão bem sucedidos como temos sido.

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