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Estudantes Locais Apresentam o “Poder do Bilinguismo”

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

 

Emanuela P. Leaf

Há cerca de cinco milhões de estudantes do idioma inglês nos Estados Unidos – ou cerca de 9% de todos os alunos de escolas públicas – e esses números estão aumentando.

Em Connecticut, a população de Estudantes da Língua Inglesa (ELL) aumentou em quase 50% nos últimos dez anos. O idioma mais falado por esses alunos no estado é o espanhol, seguido do português.

O número de imigrantes vindos de outros lugares – que falam línguas diferentes – também é crescente. De acordo com o Departamento de Educação de Connecticut, 34.833 ELLs em 173 escolas públicas falam 143 línguas diferentes.

Pela lei federal, os ELLs têm direito a receber serviços de apoio em inglês até que tenham proficiência, cumprindo o padrão educacional em inglês do estado.

Em Connecticut, dois programas são usados para atingir esse objetivo. Um deles é o Inglês como Segunda Língua (ESL), definido como “um programa que usa apenas o inglês como língua de instrução”. É oferecido a estudantes do ensino médio elegíveis com menos de 30 meses para a formatura. O segundo programa é o programa de educação bilíngue.

Há dois tipos de programas bilíngues. Programas de Educação bilíngue de transição usam o inglês e a língua principal do aluno (diminuindo ao longo do tempo) no ensino até que ele alcance a proficiência em inglês.

Programas bilíngues também usam as línguas principais dos alunos e o inglês no ensino, mas, ao contrário dos programas de transição, seu objetivo é desenvolver a proficiência em ambas as línguas.

Alguns argumentam que este é o principal objetivo: Incentivar os ELLs a obter proficiência em inglês sem perder sua primeira língua.

“Um programa de educação bilíngue é um meio muito eficaz para fornecer ensino de conteúdo essencial na língua nativa do aluno enquanto ele está aprendendo inglês. A pesquisa também nos diz que as habilidades de conteúdo aprendidas na primeira língua podem ser transferidas para o inglês quando o aluno se torna mais proficiente”, afirmou Chalise Ross, co-presidente do subcomitê de Educação Bilíngue da Administração de Programas para Estudantes da Língua Inglesa de Connecticut (CAPELL). “Por exemplo, uma vez que o aluno aprende a identificar a ideia principal e os detalhes de um texto na sua língua nativa, ele será capaz de aplicar esta habilidade ao ler em inglês.”

A Capell está dedicada a melhorar a experiência educacional dos Estudantes de Língua Inglesa no estado. Parte da sua missão é também promover a consciência e a sensibilidade intercultural em Connecticut. Também tem sido ativa no apoio à educação bilíngue e à adoção do selo de bilinguismo em Connecticut. Ele representa distritos em todo o estado com programas para ELLS.

Connecticut tem um estatuto de educação bilíngue obrigatória que cobra especificamente do Departamento de Educação que identifique anualmente as escolas com 20 ou mais ELLs que tenham a mesma língua nativa, e exige que essas escolas ofereçam um programa de educação bilíngue nesta língua no próximo ano letivo.

Baseado no número de matrículas em 2013 e 2014, o Departamento identificou 253 programas bilíngues obrigatórios em 232 escolas de 36 diferentes agências de educação locais para o ano letivo de 2014-2015. O espanhol é responsável por 232 programas bilíngues, seguido pelo português (11), crioulo haitiano (3), árabe (3), karen (2) e um de polaco e um de servo-croata.

No ano passado, a organização queria encontrar uma maneira de destacar o bilinguismo de uma forma positiva e mostrar o que um ELL é para sua escola e comunidade.

“Com essa visão, nós criamos o concurso Poder do Bilinguismo. Queríamos uma maneira de coletar e mostrar o que o bilinguismo significa para os nossos alunos e o futuro. Nosso primeiro ano atraiu cem inscrições de todo o estado,” disse Ross.

História de Vinicius & Sergio

Recentemente, a CAPELL anunciou os vencedores do concurso estadual. O estudante da nona série da Bethel High School e o aluno da quinta série da Johnson Elementary School Sergio Ortega foram dois vice-campeões de Connecticut.

“Vinicius escreveu uma história sobre sua experiência de vir a este país, aprender a língua, e seu desejo de tornar-se trilíngue. Sergio criou um poema sobre sua jornada de aprendizagem de uma segunda língua e as oportunidades que ela trouxe para ele”, explicou orgulhosamente Stacey DeVita, líder da equipe de ELL do distrito e instrutora para ELL das Escolas Públicas de Bethel, além de membro da CAPELL.

Por sua realização, cada um recebeu um certificado e um cartão de US$ 50 da Target.

O Tribuna conversou com Vinicius e Sergio na Johnson Elementary School.

Vinicius tem 14 anos. Ele nasceu no Brasil, em Governador Valadares. Logo após dar a luz à Vinicius, a sua mãe migrou para os Estados Unidos para se juntar ao marido, que veio enquanto ela estava esperando o bebê, para sustentar a família e ter uma chance de realizar o sonho de possuir uma casa. Vinicius foi criado por sua avó, na pequena Sapucaia até completar cinco anos, quando ele se reuniu com seus pais nos Estados Unidos.

“Foi uma grande transição para mim. Eu não entendia nada do que as pessoas falavam. Onde eu morava no Brasil era tão pequeno, e aqui é tão grande.”

Vinicius escreveu sobre a história da imigração de sua família e sobre como ser bilíngue lhe garantirá um futuro melhor:

“Gostaria de ser advogado. Minhas habilidades linguísticas serão úteis para ajudar os brasileiros que não sabem inglês. Além disso, os trabalhos que pagam mais exigirão que a pessoa saiba mais de uma língua. Isto faz eu sentir que terei uma vantagem sobre as outras pessoas que se candidatarão ao trabalho. Vou continuar me esforçando para aprender inglês e português. E também estou tentando aprender francês. Quanto mais idiomas eu souber, maior será a minha chance de conseguir um emprego que pague mais. Ser bilíngue dá muito trabalho, mas as recompensas são grandes.”

A história de Sergio é semelhante à de Vinicius. Ele também foi criado por parentes até que pudesse se reunir com sua mãe. “Minha mãe precisava de um emprego; éramos muito pobres”. No poema SER BILÍNGUE, apresentado na competição, Sergio compartilha lindamente sua jornada como imigrante e aluno bilíngue:

“De país em país,
Porque a nossa família não nos queria com fome.
Em busca de uma vida melhor
Aprendendo uma nova língua desde que tinha cinco anos
Começando a traduzir,
Tudo o que eu ouvi em todo o estado
Ter uma educação melhor,
Agora estou ajudando crianças de diferentes nações
Ser bilíngue me dá oportunidades para fazer novos amigos
É uma grande história e ainda não terminou.”

Perguntei aos estudantes como eles se sentem quando escutam as pessoas dizerem coisas negativas sobre os imigrantes.

“Se eles estivessem dizendo coisas ruins sobre minha família, me afetaria, mas eles não estão. Eles estão apenas falando sobre todos, não sobre mim especificamente”, Sergio respondeu.

“Eu sinto que se alguém fala mal de imigrantes, eles estão baseando-se apenas na sua opinião. Eles deveriam conhecer as pessoas. Eles não sabem o quão difícil as nossas vidas eram antes de virmos para a América.”

Eu também perguntei onde eles se sentiam em casa. Aqui ou no Brasil e na Guatemala?

Para Sergio, ele já se acostumou: “Não acho que me sentiria confortável na Guatemala novamente”. Vinícius disse “eu me sinto aqui, porque é onde a minha família está.”

Para DeVita, o sentimento de pertença deles tem muito a ver com a atmosfera acolhedora criada nas Bethel Public Schools.

“Estamos muito orgulhosos disso e deles. Enquanto estiverem em qualquer lugar no ambiente escolar, queremos que se sintam absolutamente confortáveis, estimulados e focados em sua educação”, afirmou DeVita. Ela se descreveu como uma educadora com carinho pelos Estudantes da Língua Inglesa, acrescentando: “As escolas de Bethel estão ansiosas para participar do concurso de 2016 e eu gostaria de encorajar outras escolas da região a participarem também.”

Para mais informações sobre o concurso, visite www.capellct.org.

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