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Estudo Mostra que Pouquíssimos Negros e Hispânicos se Tornam Médicos

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Por New America Media – Especial da HealthDay News e NorthStarNews Today

Traduzido por Frederico Alberti

Muito poucos membros de grupos minoritários cursam medicina nos EUA, resultando em uma grave falta de diversidade entre clínicos gerais e médicos de diversas especialidades, constata um relatório feito recentemente.

A publicação com os dados colhidos pelos pesquisadores mostram que, em 2012:

  • Negros representam menos de 4% dos médicos atuantes, 6% de formandos em pós-graduação de medicina e 7% de diplomados. De acordo com o U.S. Census Bureau, a população total dos Estados Unidos é composta por 15% negros.
  • Hispânicos compõem um pouco mais: 5% de médicos atuantes, 7,5% de trainees em pós-graduação em medicina, e pouco mais de 7% de diplomados. De acordo com o censo feito em 2013, 17% da população dos EUA é hispânica.

“Meu pai se formou em medicina em 1960 e, naquele tempo, apenas 3% dos médicos eram negros”, disse o Dr. Wayne Riley, presidente do American College of Physicians (ACP) e professor clínico de medicina na Universidade de Vanderbilt, em Nashville.

“Este estudo mostra que 3,8% dos médicos são negros. Nosso progresso foi praticamente imperceptível. Ao longo de um período de 50 anos, ainda estamos longe de um cenário onde médicos afro-americanos e latinos representam o percentual considerável da população”, disse Riley, que é negro.

Os resultados do estudo foram publicados na edição de 24 de agosto da JAMA Internal Medicine.

A diversidade é importante por muitas razões que se relacionam diretamente ao cuidado do paciente, segundo especialistas.

Por exemplo, muitos médicos minoritários acabam escolhendo os cuidados primários e, com essa sabedoria, retornam para as comunidades de onde vieram, ajudando a tratar as pessoas que poderiam não ser capazes de encontrar um médico, disse Marc Nivet, diretor do escritório de diversidade da Association of American Medical Colleges.

Alguns estudos têm demonstrado que os pacientes costumam se relacionar melhor com médicos que se assemelham a eles, disse a Dra. Laura Riley, obstetra, diretora de Parto e Nascimento no Massachusetts General Hospital (MGH), em Boston. O comentário que acompanha o estudo também é dela. E ela não tem relação alguma com Riley do ACP.

“Realmente existe essa conexão que pode, sim, facilitar uma conversa ou circunstância difícil”, disse ela.

Outra pesquisa revelou que os médicos com etnia semelhante a do paciente podem ser mais sensíveis às questões que este paciente enfrenta, disse Nivet.

Por exemplo, são capazes de projetar melhores horários de medicação e protocolos de tratamento, já que eles levam em conta os antecedentes do paciente, disse ele.

Médicos de diferentes grupos étnicos também aumentam a cultura de todos os médicos ao redor, ajudando-os a compreender melhor as diferentes circunstâncias dos pacientes, acrescentou.

“Isso dá a todos os médicos uma oportunidade para elevar o nível de cultura, porque seus colegas são diferentes”, disse Nivet.
Segundo esse estudo, o número de mulheres tem subido bem. Por exemplo, elas representam 48% dos diplomados em medicina e 46% formandos em pós-graduação.

As mulheres também são a maioria em sete especialidades entre os trainees de pós-graduação em medicina, incluindo ginecologia e obstetrícia, pediatria, dermatologia, medicina da família e patologia, revelaram pesquisadores.

Na verdade, existe uma série de obstáculos para as minorias, começando pelo ensino primário que recebem.

“Há uma desigualdade na educação, desde o jardim de infância”, disse Riley do ACP. “Temos de melhorar a educação pública e certificar que os jovens tenham a noção de que eles também podem se tornar médicos e participar de uma vida maravilhosa, servindo as pessoas em um ambiente de cuidados.”

O custo é outro fator. “A faculdade de medicina é ridiculamente cara”, disse Riley do MGH. “Precisamos ter certeza de que isso não é um fator que tira as pessoas desse caminho”.

Mais bolsas de estudo e assistência financeira ajudariam bastante, mas Nivet acrescentou que os alunos também podem ser incentivados por pessoas que forneçam uma perspectiva mais ampla sobre o custo.

“Para os estudantes de baixa renda, a ideia de ter uma dívida de US$ 200 mil de faculdade faz com que alguns desistam”, disse Nivet. “A única maneira que eles têm de ficar é se alguém aconselhar que uma faculdade de medicina é um sólido investimento no futuro, e que o retorno do investimento é, sem dúvida alguma, extremamente elevado”.

Essa diversidade na profissão também poderia ser elevada se mais negros e hispânicos atingirem níveis superiores de responsabilidade, acrescentou Riley do MGH.

“Eu estou bastante animada com o número de negros e hispânicos que se tornam médicos, mas estou desanimada com o número de pessoas que chegam ao topo das carreiras”, disse ela. “Dentro de universidades, os reitores e catedráticos precisam olhar mais para o corpo docente e promover pessoas que merecem avançar.”

Riley, da ACP, notou que ele é, ainda, o terceiro presidente negro que o American College of Physicians teve em sua história de cem anos.

“Eu não quero ser uma aberração na história do American College of Physicians”, disse ele. “Precisamos de mais médicos seguindo meus passos. Eu me preocupo com o tempo que, depois de mim, possa levar para outro negro chegar a uma posição de liderança”.

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