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Novo Cônsul-Geral do Brasil em Hartford Compartilha sua Visão, Planejamento e Expectativas

Este post também está disponível em: Inglês

Por Angela Barbosa

Em entrevista exclusiva ao Jornal Tribuna, o novo Cônsul-Geral do Brasil, embaixador Fernando de Mello Barreto, que assumiu a chefia do Consulado-Geral em Hartford no último dia 4 de junho, compartilha suas experiências diplomáticas e explica sua visão e planejamento para aprimorar a prestação de serviços à comunidade brasileira dentro de sua jurisdição consular.

Em seu décimo posto diplomático, o embaixador Barreto traz uma bagagem de 38 anos de carreira que serão favoráveis ao trabalho de aprimoramento do atendimento do consulado em Hartford.

Identificando Dificuldades

O embaixador Barreto explica que os problemas que encontrou em Hartford são diferentes de outros lugares.

“Todos os consulados têm desafios, porque temos no mundo inteiro um número maior de demandas que capacidade de atender. Aqui não é, comparativamente com outras experiências, mais difícil, porque é um consulado recente, ele tem seis anos agora e começou da maneira certa”, afirmou.

“Temos sempre que ir adequando para melhorar, mas os recursos são limitados, como sempre são os recursos públicos”.

Consulado Itinerante

Segundo o embaixador Barreto, no momento não há instruções para retomar as missões itinerantes. “Não estamos com disponibilidade financeira para oferecer esse serviço. Embora eu saiba que aqui, como em outros lugares, a comunidade brasileira é que ajuda a organizá-lo e mantê-lo, há custos para o consulado transportar funcionários e, quando é fim de semana, pagar hora extra.”

Ciente de que na comunidade nem todos têm condições físicas ou financeiras para ir ao consulado, o embaixador reconhece a necessidade urgente de reiniciar os itinerantes.

“Mesmo sem dinheiro, vou ver se conseguimos fazer os itinerantes durante dias úteis. Não é o ideal, porque as pessoas estão trabalhando. Mas acredito ser melhor do que nada”.

Em relação aos custos adicionais para realização dos itinerantes – gasolina, transporte, alimentação etc., o embaixador Barreto espera poder contar com a ajuda das comunidades. “Talvez assim a gente consiga”.

Os interessados em auxiliar nas missões devem ligar para o consulado pelo telefone 860-760-3100.

Mudanças/Novos Planos

Poucas medidas foram tomadas desde que ele chegou. “Costumo ser democrático e sempre ouvir primeiro todos os funcionários, que estão no contato diário com o público, ouvir os membros do Conselho de Cidadãos e manter reuniões diárias com eles”.

Tanto os funcionários, como os membros do Conselho e a mídia, serão mecanismos que o embaixador pretende utilizar como canal para ouvir os anseios da comunidade e poder melhorar os serviços oferecidos.

“O grande desafio é o número de funcionários para atender passaportes, agendamentos… que são queixas regulares. Até agora não achei uma equação para solucionar isso, estou estudando a maneira de atenuar”.

Entre as poucas medidas já adotadas está a eliminação das grandes filas de pessoas na porta do consulado que vinham sem agendamento.

“Os casos de emergência e prioridade legal temos examinado. Mas não podemos mais ter filas. Pedi as pessoas que não viessem sem agendamento. Já vi pessoas chegarem de madrugada, sentarem no chão, pessoas com deficiências físicas que passavam a noite. Em minha experiência em outros postos, isso é ruim e perigoso”.

No agendamento há prioridades legais – gestantes, lactantes, idosos e pessoas com deficiências. É preciso também entender a definição de “emergência” para que o agendamento seja agilizado, por exemplo, falecimento recente de um familiar próximo, ou convocação por um órgão de imigração.

Segundo o embaixador, há critérios a serem seguidos e todos devem ser tratados com igualdade. Com a falta de recursos, poucos funcionários e uma crescente demanda de passaportes, atendimento só mesmo com agendamento.

A segunda mudança seria interna, melhorando a distribuição dos funcionários para atendimento e considerando mudar o horário de abertura de 9h para às 8h.

“Acredito que em alguns meses, com pequenas medidas, a situação vai mudar. Minha intenção é fazer mudanças graduais e não radicais. Este consulado é considerado modelo, temos funcionários motivados. Temos muita gente dentro e fora do consulado com muita garra e interesse para juntos encontrarmos soluções”.

Comunidade Brasileira

O embaixador Barreto não se surpreendeu com o perfil da comunidade brasileira. “Eu encontrei uma comunidade muito interessante e que me deu muito boa impressão. As reuniões que já tive com o Conselho de Cidadãos e os contatos públicos que tenho tido com entidades locais comprovam também que é uma comunidade bem-vista e benquista”.

“É uma comunidade que, para nós diplomatas que servimos fora, nos dá orgulho. É uma comunidade que eu considero que traz algo positivo para o Brasil, porque a nossa função aqui, entre outras, é divulgar o Brasil.”

Ele enfatiza que a “a qualidade do brasileiro” está na força do seu trabalho e nos seus esforços para conquistar uma vida melhor. “Eu não vejo a comunidade como um peso que o governo tem que arcar, pelo contrário, é algo positivo que é a favor do Brasil e ajuda a eles próprios e ao país. Que continuem a ser assim, os brasileiros que nos orgulhamos de ser.”

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