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O Perigo Está no Mistério

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Por Catherine Blinder

Traduzido por Frederico Alberti

Você notou algo de novo nos guichês dos postos de gasolina, lojas de conveniência ou bodegas – pequenos pacotes com aparência inocente, não maior que um saquinho de chá, muitas vezes com cores brilhantes e personagens de desenhos animados? Muitas vezes comercializados como “incenso”, eles têm nomes como K2, Spice, Pep Spice, Spice Silver, Sence, Skunk, Yucatan, Fire, Bliss, Black Mambo, Bombay Blue, Cloud Nine, Zohai ou Genie.

Eles não são inofensivos.

A verdade sobre essas novas drogas sintéticas, dizem agentes policiais e cientistas, é que o perigo reside no mistério. “Drogas sintéticas” não se referem a uma única substância, mas de uma combinação de produtos químicos desenvolvidos nos laboratórios.

Muitas vezes, de acordo com funcionários do Departamento de Controle de Drogas (DEA, na sigla em inglês) são intencionalmente mal rotuladas quando chegam do exterior ou mesmo quando são fabricadas aqui nos Estados Unidos. Podem ser uma combinação de produtos químicos misturados com substâncias como acetona e pulverizada sobre materiais à base de planta.

Os produtos químicos contidos nesses produtos são perigosos por muitas razões. Eles não são regulamentados e, portanto, podem estar contaminados com impurezas. Não passam por testes, portanto, mudam com frequência. “É como jogar roleta russa com o seu corpo”, disse um funcionário do DEA. O risco é tão grande que, recentemente, cinco dos agentes químicos utilizados nestes produtos têm recebido uma designação de “emergência” pelo DEA.

O número de chamadas para centros de controle de envenenamento envolvendo canabinóides sintéticos subiu de 112, em 2009, para 6.549 em 2011, segundo a Associação Americana de Centros de Controle de Envenenamentos.

Embora as substâncias sejam ilegais para posse e venda, tanto em Connecticut como em nível federal, estão disponíveis, com facilidade, em muitas comunidades. Os jovens acreditam, erroneamente, que são legais porque são facilmente encontradas e, muitas vezes, ficam exibidas para venda abertamente, por isso, pensam que são seguras. Fabricantes arrumaram uma maneira de achar brechas na lei, marcando os pacotes com os dizeres “Inadequado para o consumo humano”, ou comercializando-as como incenso, quando na verdade o uso é destinado para fumo.

“Os fabricantes estão ficando cada vez mais criativos na concepção dessas estruturas”, disse Marilyn Huestis, chefe de uma divisão de pesquisa do Instituto Nacional de Abuso de Drogas Instituto Nacional de Abuso de Drogas. O resultado é um produto que vicia rapidamente, e que não deve ser tratado apenas como uma marijuana sintética. “É um coquetel com uma potência desconhecida. Os consumidores não sabem o que eles estão usando ou como essa substância irá afetá-los.”. Huestis acrescenta: “O que está no produto hoje não é o mesmo que você encontrará amanhã”.

O DEA tem monitorado mais de 300 iterações em menos de uma década – e ninguém pode dizer definitivamente que efeito têm sobre os usuários ou aqueles que os rodeiam. “É um veneno”, disse Andre W. Kellum, agente assistente do DEA de Washington.

Por causa das alterações feitas entre um lote e outro, em parte, para driblar as leis antidrogas, aplicar testes é uma tarefa árdua – e overdoses são difíceis de tratar. Socorristas e médicos tiveram sucesso ao reanimar vítimas com overdose de heroína utilizando Naloxona, mas isso pode não dar certo com produtos sintéticos.

Podemos não saber exatamente o que tem nesses pacotinhos brilhantes, mas a lição é simples. Fique longe deles. E diga aos seus amigos e familiares, especialmente aos mais jovens, que podem cair na besteira de achar que é uma droga “segura e legal”, mas que, na verdade, é muito perigosa e pode trazer graves consequências para a saúde. Não é legal. Muito menos, seguro.

Ligue para o Centro de Envenenamento no telefone 1-800-222-1222 se você suspeitar que alguém esteja tendo uma overdose desse tipo de droga sintética. Os sintomas de overdose podem incluir agitação extrema ou ansiedade, transpiração profunda, palpitações, depressão, náuseas e vômitos.

 

Este artigo foi escrito por Catherine Blinder, chefe de educação e sensibilização do Departamento de Defesa do Consumidor do Estado de Connecticut. Para saber mais sobre como o Departamento de Defesa do Consumidor pode ajudar, visite-nos online em www.ct.gov/dcp.

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