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Op-Ed: Crise de Porto Rico Deveria Preocupar Residentes de Connecticut

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Por Ingrid Alvarez-DiMarzo

Diretora da Federação Hispânica do Estado de Connecticut

Traduzido por Frederico Alberti

Cerca de 1.700 milhas de terra e mar separam Hartford de San Juan, Porto Rico, o que torna tentador para os residentes de Connecticut ignorar a brava crise econômica da ilha caribenha. Uma dica sábia: resista à tentação. Os efeitos em cascata do recente fracasso da ilha para pagar parte de sua dívida de US$ 72 bilhões terá um impacto negativo, não só nos moradores de Porto Rico, mas também nos milhões de americanos que investiram em títulos municipais porto-riquenhos, incluindo milhares de investidores e aposentados de Connecticut. Não importa se você vive em Bridgeport ou Bayamón, ajudar Porto Rico a sair da pior crise financeira em mais de um século deve preocupar a todos em Connecticut. Como o senador Chris Murphy explicou durante uma recente conferência de imprensa, pedindo uma resposta federal mais robusta para o colapso econômico da ilha: “Quando Porto Rico cresce, Connecticut também cresce. Quando Porto Rico cai, Connecticut cai “.

As razões por trás dos atuais problemas econômicos da ilha são complexas, com culpa para todo lado: más práticas orçamentárias, escassez de fundos federais, empréstimos predatórios por instituições financeiras, a Grande Recessão, mudanças demográficas drenando a base tributária, e a relação complicada e, muitas vezes injusta, entre os Estados Unidos e Porto Rico. Isso para contar apenas algumas. No entanto, a situação na ilha atingiu o fundo do poço e só uma ação decisiva do Congresso e do presidente Obama pode ajudar a salvar Porto Rico. Infelizmente, a maioria em Washington não está levando esta crise a sério.

Felizmente, o senador Richard Blumenthal, junto ao senador Charles Schumer, de Nova York, apresentaram um projeto de lei para resolver essa crise. O projeto “Lei de Porto Rico – Capítulo 9 – Ato de Uniformidade”, se for transformado em lei, irá atuar em um dos principais obstáculos para a recuperação de Porto Rico, a começar pela sua incapacidade de se valer das proteções de falência a que os estados dos EUA têm acesso. Além do mais, o projeto de lei, que é co-patrocinado pelo senador Murphy, permite que Porto Rico reforme sua economia de forma ordenada, evitando riscos para todos os americanos. Como o senador Blumenthal ressaltou na introdução da legislação: “Credores e investidores, cidadãos comuns, todos serão prejudicados se o Congresso não agir. Essa medida não é uma ajuda – não envolve um centavo de recursos federais. Permite uma reestruturação ordenada e racional da dívida, ao invés de uma desvinculação financeira para todas e possíveis quedas livres”.

Além de permitir que Porto Rico recorra a leis de falência, há outras coisas que o Congresso e a Casa Branca podem e devem fazer para ajudar a ilha, incluindo a aplicação de recursos federais para a saúde, energia limpa e outras necessidades urgentes, bem como eliminar as políticas economicamente frágeis como os requisitos de transporte do Jones Act que, injustificadamente, custaram bilhões para a ilha.

É claro que existem outras razões para ajudarmos a consertar a economia de Porto Rico, além da linha de fundo para investidores e titulares de pensões. Existem laços significativos entre a ilha e Connecticut. Em meados do século 20, milhares de porto-riquenhos vieram para lugares como Windsor para trabalhar na importante indústria do tabaco do estado. Eles são partes integrantes de nossas comunidades, espalhados por toda Connecticut. Hoje, mais de 250 mil porto-riquenhos chamam Connecticut de casa. Connecticut é o estado que tem mais porto-riquenhos em sua população. Hartford e Bridgeport estão entre as dez cidades nos Estados Unidos com maior número. Isso significa que à medida que a crise aguça, o impacto será cada vez mais sentido nas comunidades porto-riquenhas do Estado. Famílias porto-riquenhas em Connecticut, que já lutam para se recuperar dos piores anos da Grande Recessão, serão forçadas a conceder apoio financeiro às suas famílias na ilha, comprometendo a sua própria segurança econômica.

Não será fácil estabilizar Porto Rico economicamente. E isso não acontecerá de um dia para o outro. Pensar que não temos nada a ver com a crise atual da ilha não vai funcionar. Os porto-riquenhos precisam de nossa ajuda e os EUA têm obrigação prática e moral de dizer: ¡Presente!

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