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Palavras Importam – Nenhum Ser Humano É “Ilegal”

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

 

New America Media | Por Karla Martinez

Quando criança, eu achava que qualquer um que nascesse na Terra fazia parte dos Estados Unidos. Eu não sabia o que “legal” ou “ilegal” significava. Quando ouvia a palavra “ilegal”, automaticamente pensava em drogas ou assassinato. Então, quando comecei a ouvir pessoas sendo chamadas de “ilegais”, me perguntei se isso significava que elas eram tão ruins como drogas e assassinato.

Depois eu comecei a ver termos como “estrangeiros ilegais” e “imigrante ilegal” nas notícias. Parecia que todo mundo estava informando sobre o que esses “ilegais” estavam fazendo e eu ainda não entendia por que estas pessoas, que se pareciam comigo, estavam sendo chamados de “ilegais” quando, na verdade, estão apenas em situação irregular.

Eu conheço pessoalmente a luta dessas pessoas para que possam trabalhar por uma vida melhor para si mesmas e suas famílias. Meu pai estava em situação irregular até meus dez anos. Tudo que eu sabia naquela idade era que precisávamos ser cuidadosos. Lembro-me de ouvir as palavras “estrangeiro ilegal” e imediatamente querer esconder meu pai, assim como Michael e Elliot tentaram esconder o ET, porque era isso que eu pensava ser um “estrangeiro ilegal”. Eu sentia que era a minha função, uma garota de oito anos, proteger a identidade do meu pai, e achava que se eu esforçasse ninguém saberia que ele não “pertencia” aos EUA.

Como cresci no Eastern Coachella Valley, uma comunidade predominantemente hispânica e latina, posso dizer que a experiência da minha família não é diferente da de centenas de outras famílias que vivem aqui e em todo o país. E por saber que essas pessoas em situação irregular são meus vizinhos, familiares e amigos, me preocupo com como são chamadas.

Mesmo quando me tornei uma jornalista jovem aos 14 anos, levei a sério a forma como falava sobre os outros, e ainda me esforço muito para representar as pessoas com honestidade e justiça em todas as minhas histórias.

Não está na hora de todos, incluindo a mídia, fazerem isso também? Palavras importam.

A mídia tem uma enorme influência sobre como as pessoas nos Estados Unidos veem os imigrantes. Grandes redes de mídia, como a CNN, a Associated Press e o The New York Times, ditam como as pessoas em nosso país falam sobre imigração e imigrantes.

Sempre que ouço relatos sobre “imigrantes ilegais” nas notícias ou vejo o termo em artigos, me sinto profundamente triste porque a palavra “ilegal” é desumanizante e não é uma maneira de descrever um ser humano.

Fui encorajada quando descobri que a Define American e a Associação Nacional de Jornalistas Hispânicos criaram uma petição para que o New York Times atualize as suas diretrizes editoriais e pare de usar a palavra “ilegal” ao descrever imigrantes em situação irregular. Até agora, a petição tem 2.763 apoiantes.

Ambos, a CNN e a Associated Press, já se comprometeram a parar de usar a palavra “ilegal” ao descrever imigrantes indocumentados. É hora de o New York Times fazer o mesmo.

Eu encorajo todos os órgãos de comunicação a pararem de usar a palavra “ilegal” quando falarem de imigrantes em situação irregular, porque não há nada ilegal em ser um humano.

Karla tem 16 anos, é repórter da juventude na Coachella Unincorporated há dois anos, cobrindo questões como o cadastramento eleitoral e a prevenção da violência na comunidade. Em abril de 2015, Karla foi premiada com o Prêmio Young Lady of the Year para o Distrito 4 do Condado de Riverside. Veja a página de Karla em http://coachellaunincorporated.org/?s=Karla+Martinez. Coachella Unincorporated é um projeto da New America Media.

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