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Senador de Connecticut Confronta a FIFA

Este post também está disponível em: Inglês, Espanhol

Traduzido por Frederico Alberti

O que os fãs de futebol, o senador de Connecticut Richard Blumenthal e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos têm em comum? Eles não estão felizes com a Fédération Internationale de Football Association (FIFA).

Em 15 de julho, em uma audiência na Subcomissão de Defesa do Consumidor do Senado em Washington DC, o membro Richard Blumenthal (D-Conn.) pediu mais transparência e responsabilidade no futebol nos EUA enquanto o escândalo da FIFA se desenrola. Blumenthal buscou respostas sobre quem no futebol nos EUA estava ciente da prática criminosa que assola o futebol internacional – ilegalidade que levou a acusações de corrupção pelo Departamento de Justiça dos EUA.

Para Blumenthal, o futebol é um esporte crescente e importante nos Estados Unidos e o país tem orgulho do jogo, especialmente após a conquista da Copa do Mundo feminina pelos EUA no mês passado.

Ele acredita que a corrupção descoberta pelo Departamento de Justiça na FIFA é um desserviço para o jogo.

“Ela trai a confiança de inúmeros homens e mulheres, muitos deles jovens apenas começando nesta modalidade, que têm o direito de esperar mais dos líderes do esporte.”

Em maio deste ano, um indiciamento de 47 alegações foi aberto em um tribunal federal no Brooklyn, Nova York, acusando 14 réus de extorsão, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspirações, entre outros crimes, no âmbito da participação dos réus em um esquema de 24 anos para enriquecer através da corrupção do futebol internacional.

“[O]s fatos demonstram que ou havia ignorância intencional ou incompetência flagrante por parte de muitos dos membros desta organização, e isso vale para a Federação de Futebol dos Estados Unidos também. Eles não sabiam de nada ou já sabiam, e eu não tenho certeza do que é pior “, afirmou Blumenthal, acrescentando que muitos desses crimes foram cometidos nos Estados Unidos.

Os réus incluem altos funcionários da FIFA, líderes responsáveis pela regulação e promoção do futebol mundial, bem como altos funcionários de outros órgãos que regem o futebol e que operam sob o guarda-chuva da FIFA. Jeffrey Webb e Jack Warner – os presidentes atual e anterior da CONCACAF, a confederação continental sediada nos Estados Unidos – estão entre as autoridades do futebol acusadas ​​de crimes de extorsão e suborno.

Os réus também incluem executivos de marketing esportivo da América do Sul acusado de ter pago de forma sistemática e concordado em pagar mais de US$ 150 milhões em subornos e propinas para obterem meios de comunicação e direitos de marketing lucrativo para torneios de futebol internacionais.

“Isso se estende por pelo menos duas gerações de autoridades do futebol que, como alegado, abusaram de seus cargos de confiança para adquirir milhões de dólares em subornos e propinas”, afirmou a procuradora-geral Loretta Lynch.

Na última semana de maio, a polícia invadiu um hotel suíço em Zurique para prender altos funcionários da FIFA como parte da investigação de corrupção nos EUA. Os detidos em Zurique são das Ilhas Cayman, Trinidad e Tobago, Nicarágua, Costa Rica, Uruguai, Venezuela e Brasil, entre outros.

Além disso, o Departamento de Justiça revelou acordos de confissão de culpa com outros quatro indivíduos e dois réus corporativos, incluindo o ex-executivo da Fifa Charles Blazer, e José Hawilla, proprietário e fundador de um conglomerado de marketing esportivo brasileiro. Hawilla concordou em devolver US$ 151 milhões como parte do seu acordo, a fim de evitar a pena de prisão.

“O fato revelado até agora é que se trata de um sindicato criminoso estilo máfia à frente deste esporte. A minha única hesitação em usar esse termo é que é quase um insulto à máfia, porque a máfia nunca teria sido tão descarada, ostensiva e arrogante na sua corrupção”, disse Blumenthal na audiência.

Mas como toda essa corrupção dentro da FIFA se tornou possível? Tudo se resume à forma como ela é organizada. Cada uma das 209 nações-membro recebe um único voto quando se trata de eleger um presidente da federação e comitê executivo. Isso significa que as Maldivas, Trinidad e Tobago ou Costa Rica têm o mesmo peso nas decisões de federação quanto o Brasil, a Alemanha ou a Inglaterra.

Portanto, os países menores, e aqueles que comandam as federações neles, também recebem uma parcela igual das receitas da FIFA – o que reduz qualquer incentivo para alterar a estrutura do processo de votação.

Para o senador de Connecticut, só as reformas que instalem mais transparência e prestação de contas podem lançar a luz necessária para desinfetar a corrupção na organização.

“Uma proposta é reorganizá-la, ou parte dela, como uma empresa pública. Estou orgulhoso de que os Estados Unidos lideraram o mundo em trazer esses escândalos à luz, e prendendo os indivíduos responsáveis. Mas esse trabalho está longe de terminar.”

Blumenthal acredita que é preciso haver medidas adicionais, que envolvam não apenas funcionários públicos, mas também as corporações privadas que patrocinam esses eventos.

Ele apelou para empresas que patrocinam o futebol internacional como McDonalds, Nike, Coca-Cola e Visa para desempenhar o seu papel, assegurando que eles permaneçam como guardiões da boa governança.

“Elas precisam se envolver, ao invés de ficar em silêncio como beneficiários dessa governança pouco transparente.”

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