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Sim, Sr. Presidente, eu concordo completamente.

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Traduzido por Frederico Alberti
“O cinismo não levou o homem à lua. O cinismo nunca ganhou uma guerra, curou uma doença, construiu um negócio ou alimentou uma mente jovem. O cinismo é uma escolha. E a esperança é uma escolha melhor.” – Presidente Barack Obama, no encerramento do discurso de apoio à reeleição do governador Dan Malloy em um comício em Bridgeport, em 1o de novembro.
E foi a esperança que levou pais e filhos, membros de Connecticut Students for a Dream (C4D) – uma organização estadual que ajuda jovens sem documentos e seus familiares a defenderem seus direitos – a interromperem o presidente Barack Obama durante o comício, exigindo-lhe que use sua autoridade legal para trazer alívio a milhões de famílias o mais rápido possível.
O presidente foi interrompido logo no início por uma mulher anunciando que ela era um “dreamer” que queria a reforma das leis de imigração. Em seguida, dois jovens protestaram contra as políticas de imigração gritando para o presidente durante vários minutos perto do palco. Um vestia uma camiseta que dizia “Obama deporta pais.” Alguns momentos depois, houve outra manifestação, desta vez de uma mulher implorando ao presidente por alívio imigratório.
Obama respondeu: “Os republicanos estão bloqueando a reforma migratória. Essa é mais uma razão pela qual precisamos de um democrata no Senado. Sou solidário com as pessoas que reivindicam mudanças na imigração. É por isso que lutamos pela reforma. É a outra parte que está bloqueando. Infelizmente, as pessoas ficam frustradas e gritam com todo mundo. ”
Os manifestantes foram levados por policiais enquanto a multidão gritava “Mais quatro anos!”
A multidão não estava ciente de que os manifestantes não estavam “gritando com todo mundo”. Eles estavam gritando diretamente para o presidente Obama. Eis aqui o porquê.
O número total de deportações durante o mandato de Obama já passa de dois milhões, um ritmo que coloca o presidente no caminho para deportar mais pessoas até o final de 2014 do que George W. Bush em seus oito anos de mandato.
No ano passado, o governo Obama relatou 133.551 deportações. Desses, 71.938 tinham sido anteriormente condenados por pelo menos um crime ou vários delitos – os “estrangeiros criminosos” que o governo tem como alvo. E as outras 61.613 pessoas eram gente que levava vidas pacíficas nos Estados Unidos.
Muitos deles são pais de “Dreamers”, jovens que foram trazidos ao país quando crianças e estão com cerca de 30 anos; entraram nos Estados Unidos antes dos 16 anos; vivem continuamente no país há pelo menos cinco anos; não foram condenados por nenhum crime, delito “significativo” ou três outros delitos; e estão atualmente na escola, formaram no Ensino Médio, conquistaram um GED (diploma equivalente ao ensino secundário) ou serviram nas forças armadas.
Jovens sem documentos que atendem a esses critérios são cobertos pelo Development, Relief, and Education for Alien Minors (DREAM) Act, e receberam uma isenção de deportação com validade renovável de dois anos.
A maioria dos “Dreamers” considera os EUA seu lar, e não seu país natal. Eles não são fluentes em sua língua nativa e passaram toda a vida estudantil em escolas americanas.
Muitos deles são membros de Connecticut Students for a Dream (C4D), o grupo que protestou durante o comício. Muitos são também menores de idade, que tiveram suas deportações interrompidas mesmo com os pais sendo deportados.
Eles têm que optar por ficar nos EUA sem os pais e não perder o benefício de imigração ou sair com a família e ficar impedido de voltar ao país por dez anos.
Pressionar o presidente Barack Obama para ele manter a promessa de conceder assistência aos pais é a única esperança.
“A esperança é o que deu aos jovens a força para marchar pelos direitos civis e de voto, pelos direitos das mulheres, dos trabalhadores, dos homossexuais e dos imigrantes. A esperança é que levou o homem à lua. A esperança é o que derrotou o fascismo. A esperança é o que faz a América. Esperança em dias melhores, na construção de uma classe média, em construir um lugar melhor para nossas crianças “, disse Obama no comício.
Sim, Sr. Presidente, eu concordo completamente. A esperança é o que dá a coragem de ser um imigrante sem documentos e de interromper o Presidente dos Estados Unidos.

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