Corpo, Imagem Corporal e Saúde Mental: Uma Reflexão para a Comunidade
A imagem corporal, ou a forma como cada pessoa percebe o próprio corpo, pode influenciar a autoestima, a saúde mental, os hábitos alimentares, os relacionamentos e as decisões relacionadas ao próprio corpo. Em Connecticut, os dados de saúde pública mostram que alimentação, peso corporal, atividade física e bem-estar emocional devem ser compreendidos como questões de saúde coletiva. O Connecticut Behavioral Risk Factor Surveillance System 2024 entrevistou 7.213 adultos em todo o estado e apresentou indicadores relacionados à saúde física, saúde mental, sobrepeso e obesidade. De acordo com os Mapas de Obesidade em Adultos de 2024, cerca de 28,5% dos adultos de Connecticut vivem com obesidade, reforçando a importância de abordar a imagem corporal e a saúde sem vergonha, discriminação ou estigma.
Em Connecticut, esse tema deve ser entendido como uma questão de saúde da comunidade. Os transtornos alimentares e a insatisfação com a imagem corporal podem afetar pessoas de qualquer idade, gênero, origem, idioma, tipo físico ou condição econômica. Esses transtornos nem sempre são visíveis, uma pessoa pode estar sofrendo mesmo aparentando estar bem. Por isso, não devemos esperar que alguém "pareça doente" para levar a sério sinais como ansiedade ao se alimentar, sentimento de culpa, episódios de compulsão alimentar, vômitos provocados, medo intenso de ganhar peso, isolamento social, comparações constantes com outras pessoas ou a necessidade de mudar a própria aparência para se sentir aceita.
Algumas formas de tentar mudar a aparência podem parecer soluções rápidas, mas trazem riscos físicos e emocionais significativos. Entre elas estão dietas extremamente restritivas, jejuns prolongados, medicamentos para emagrecer sem acompanhamento médico, vômitos induzidos, uso inadequado de laxantes, prática compulsiva de exercícios físicos, suplementos sem regulamentação, filtros digitais, comparações constantes nas redes sociais e procedimentos estéticos realizados por pressão externa. Também é importante falar sobre cirurgias, aplicações de injeções e outras intervenções estéticas semelhantes. Embora possam modificar uma parte do corpo, nem sempre resolvem a insegurança, a ansiedade ou a dor emocional. Se a meta for sentir-se "bem o suficiente" apenas depois de mudar a aparência, essa satisfação pode não ser completa nem duradoura.
Um estilo de vida saudável não é construído com base em punição, perfeição ou comparação. Ele se baseia no equilíbrio: alimentar-se de forma regular e variada, incluindo frutas, verduras, legumes, proteínas, grãos integrais e água; dormir o suficiente; manter o corpo em movimento de forma segura e prazerosa; reduzir a exposição a conteúdos que aumentam a insatisfação com o próprio corpo; evitar comentários sobre o peso de outras pessoas; e procurar apoio médico ou psicológico quando a alimentação, o peso ou a aparência passam a ocupar espaço excessivo nos pensamentos e na rotina.
O apoio da comunidade é fundamental. Famílias, escolas, serviços de saúde, igrejas, locais de trabalho, organizações comunitárias e grupos de apoio podem criar ambientes onde o corpo seja tratado com respeito. Uma conversa no momento certo pode evitar muito sofrimento. Perguntas como "Como você se sente em relação ao seu corpo?" ou "Do que você precisa para cuidar melhor de si mesmo?" podem abrir caminho para um apoio importante.
Todo corpo merece dignidade, cuidado e respeito. Cuidar da imagem corporal não significa abandonar os objetivos relacionados à saúde; significa alcançá-los com informação, paciência e acompanhamento profissional. Antes de fazer mudanças radicais, vale a pena perguntar: Estou fazendo isso pela minha saúde, por pressão ou por medo de não ser aceito? A saúde integral começa quando deixamos de lutar contra o nosso corpo e passamos a ouvi-lo. Quanto do meu valor pessoal tenho colocado na minha aparência? E o que poderia começar a ser curado se, a partir de hoje, eu decidisse tratar meu corpo com respeito, em vez de exigir dele a perfeição?
Milton Capón Bermeo é psicólogo clínico com 18 anos de experiência no Equador nas áreas de atenção clínica, saúde pública e políticas sociais, graduado da turma PLTI Danbury 2024 e cofun- dador da Comunidade Migrante ABYA YALA. Para contatá-lo, ligue para (203) 809-0603.