Os Arquivos Epstein São Um Alerta Nacional — E Nossa Comunidade Precisa Ouvir

Essa descrença é compreensível, mas perigosa. Ela frequentemente decorre do medo, da autopreservação ou, simplesmente, da falta de compreensão sobre como a violência interpessoal opera.

Por Cara During, Chief Program Officer CEE

Há anos, os misteriosos e sombrios “arquivos Epstein” projetam uma longa sombra sobre os Estados Unidos. Embora muito sobre esses documentos permaneça não divulgado ou sem resolução, uma verdade é inconfundível: os sobreviventes de violência sexual merecem ser ouvidos, acreditados e apoiados.

Com demasiada frequência, quando vítimas — especialmente aquelas prejudicadas por indivíduos poderosos ou influentes — se manifestam, o fazem muito antes de qualquer justiça ser feita, quando a justiça chega a acontecer. Ainda assim, o reflexo da nossa sociedade continua sendo silenciar, envergonhar, diminuir, desacreditar ou culpar essas vítimas. A violência sexual, incluindo o tráfico sexual, é um crime grave que ocorre em todas as comunidades deste país. Afeta pessoas de todas as identidades, origens e níveis socioeconômicos. Mesmo assim, quando casos como o de Epstein ganham destaque nas manchetes, muitas pessoas reagem com descrença ou negação.

Essa descrença é compreensível, mas perigosa. Ela frequentemente decorre do medo, da autopreservação ou, simplesmente, da falta de compreensão sobre como a violência interpessoal opera. Por esse motivo, no The Center for Empowerment and Education, fundamentamos nosso trabalho em ensinar as pessoas sobre a prevalência, as dinâmicas e os sinais de alerta da violência sexual e interpessoal. Quando as pessoas entendem como a violência se manifesta, ficam muito mais preparadas para reconhecê-la e apoiar os sobreviventes que foram prejudicados — inclusive pessoas em suas próprias vidas.

Esses temas podem ser sombrios e avassaladores, e é natural que as pessoas se afastem deles. Mas conhecimento é poder. Comunidades informadas podem responsabilizar agressores, interromper normas culturais que permitem que o abuso prospere e criar ambientes mais seguros para todos.

Recentemente, parte do discurso público tem questionado a gravidade da violência sexual dependendo da idade da vítima. Essa visão não é apenas equivocada — é perigosa. A violência sexual é devastadora em qualquer idade. Crianças e adolescentes, em particular, merecem se sentir seguros com os adultos em suas vidas. Se você cuida de jovens ou atua como mentor, é essencial lembrá-los de que não há desculpa para o abuso e de que as vítimas nunca são culpadas. A violência sexual não acontece por acidente, nem é causada pelas escolhas, roupas ou aparência da vítima. Ela acontece porque indivíduos escolhem causar dano e porque uma cultura que desculpa ou minimiza o abuso permite que se sintam no direito de fazê-lo.

Com os arquivos Epstein novamente em pauta no cenário nacional, temos uma oportunidade — talvez uma obrigação — de enfrentar as realidades mais amplas da violência sexual. Precisamos examinar como poder, status e narrativas culturais podem ocultar irregularidades e silenciar os sobreviventes. E devemos confrontar nossas próprias tendências de desviar o olhar quando a verdade é desconfortável.

Se realmente queremos prevenir a violência sexual, precisamos levá-la a sério, desafiar as narrativas que protegem agressores e colocar a responsabilidade exatamente onde ela pertence: sobre aqueles que cometem o dano e sobre aqueles que o desculpam ou defendem.

Se você ou alguém que você conhece já vivenciou violência sexual, o The Center for Empowerment and Education oferece serviços de apoio confidenciais e gratuitos. Nós vemos você e acreditamos em você.

Linha Direta de Violência Sexual – 24 horas: 203-731-5204
Thecenterct.org