Os Homens Também Choram

Por Flávia Pesarini, Shelter Coordinator - CEE

Quem decidiu que homens não choram? A saúde mental é um tema importante que merece a atenção de todos.

Como sociedade, precisamos desafiar estereótipos prejudiciais, incentivar a busca por ajuda e oferecer apoio aos homens que enfrentam desafios relacionados à saúde mental. Condições como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), transtornos por uso de substâncias e os efeitos de traumas não processados muitas vezes não são reconhecidos ou relatados pelos homens. Conversas contínuas, educação e apoio da comunidade podem ajudar a reduzir o estigma e promover o bem-estar mental para todos.

Em algumas culturas, mais do que em outras, os homens são ensinados desde cedo a não demonstrar emoções, não chorar e não pedir ajuda. A sociedade ainda espera que os homens sejam “fortes”, resolvam tudo sozinhos e sejam os solucionadores de problemas. Embora mudanças estejam acontecendo gradualmente, ainda há um longo caminho a percorrer.

De acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), a taxa de suicídio entre homens em 2024 foi quase quatro vezes maior do que entre as mulheres. É fundamental derrubar as barreiras sociais e culturais que desencorajam os homens a expressar emoções ou procurar terapia. Ao aumentar a conscientização, essa iniciativa incentiva a intervenção precoce, exames regulares de saúde mental e conversas abertas sobre o bem-estar emocional.

Alguns artistas e pessoas influentes estão desempenhando um papel importante ao trazer conscientização e compaixão para essa questão. Um exemplo é o cantor Jelly Roll, que fala abertamente sobre suas dificuldades com a saúde mental. Ele compartilhou publicamente suas lutas contra a dependência química e como conseguiu superá-las. Na música “I’m Not Okay”, ele canta sobre como a saúde mental fragilizada pode afetar diversas áreas da vida, mas também mostra que perseverar diante desses desafios lhe proporcionou uma compreensão mais profunda da importância de falar abertamente sobre saúde mental.

Desafios comuns de saúde mental entre os homens

A depressão frequentemente se manifesta por meio de raiva, irritabilidade, isolamento social, fadiga ou comportamentos de risco, em vez de tristeza. Os transtornos de ansiedade podem se apresentar como inquietação, aperto no peito, problemas digestivos ou tendência a evitar determinadas situações. Os transtornos por uso de substâncias também são comuns, já que alguns homens recorrem ao álcool ou às drogas para lidar com o estresse emocional, mascarando condições subjacentes. O TEPT pode ser desencadeado por traumas relacionados ao serviço militar, violência ou adversidades vividas na infância. O risco de suicídio afeta os homens de forma desproporcional, destacando a necessidade de apoio e intervenção precoces.

Como apoiar a saúde mental dos homens

Promova conversas abertas: incentive os homens a compartilharem seus sentimentos sem julgamentos e faça perguntas como: “Como você está, de verdade?”

Normalize a ajuda profissional: terapia, aconselhamento e grupos de apoio são ferramentas de cuidado com a saúde, não sinais de fraqueza.

Crie espaços seguros: incentive ambientes em casa, no trabalho e na comunidade onde os homens se sintam confortáveis para expressar suas emoções.

Uma pesquisa publicada pela Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos constatou que problemas de saúde mental estavam associados ao aumento de comportamentos agressivos, um fator que pode contribuir para relacionamentos pouco saudáveis e potencialmente violentos. O estudo também revelou que homens com provável diagnóstico de transtorno mental apresentavam comportamentos agressivos com maior frequência do que aqueles sem esse diagnóstico. Esses resultados reforçam a importância de promover o bem-estar mental, incentivar a busca por ajuda e reduzir o estigma em torno dos cuidados com a saúde mental.

Há 50 anos, o Centro para Empoderamento e Educação (CEE) tem sido um espaço seguro e acolhedor para indivíduos e famílias afetados por relacionamentos não saudáveis. O CEE oferece apoio gratuito e confidencial, ajudando sobreviventes a criar estratégias de segurança, estabelecer limites saudáveis e avançar em sua jornada de recuperação.

Para obter apoio, ligue para nossa linha direta disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana: (203) 731-5204 (agressão sexual) ou (203) 731-5206 (violência doméstica).